Um dia depois de a pesquisa Quaest mostrar o governador Lucas Ribeiro (PP) com 49% das intenções de voto e à frente de Efraim Filho (PL) e Cícero Lucena (MDB), os três principais candidatos ao Governo da Paraíba voltaram a se enfrentar nesta quarta-feira (23), no debate promovido pela TH+ SBT, em João Pessoa.
O encontro repetiu uma estratégia que vem marcando a campanha: por ocupar o Governo e liderar as pesquisas, Lucas tornou-se o alvo preferencial dos dois principais adversários. Mesmo quando Cícero e Efraim ficaram frente a frente, os dois aproveitaram boa parte do tempo para dirigir críticas à administração estadual.
A tática é comum em disputas eleitorais. Quem está no governo naturalmente carrega o ônus de responder por problemas da administração. O que chama atenção, neste caso, é a insistência de Cícero e Efraim numa estratégia que, até agora, não produziu o efeito esperado nas pesquisas. E há outro componente: Lucas tem respondido aos ataques, algumas vezes no mesmo tom dos adversários.
Um dos assuntos mais recentes levados para o confronto foi a Ponte do Futuro. O acidente ocorrido na segunda-feira (21), que provocou a morte de um operário e deixou outros dois feridos, passou rapidamente para o centro da disputa eleitoral. Efraim esteve no local, cobrou investigação sobre as condições de segurança da obra e levantou a hipótese de que haveria “pressa eleitoral” na execução do projeto. O próprio candidato ressalvou que somente a investigação poderá estabelecer as causas do acidente.
No debate desta quarta, Efraim voltou à Ponte do Futuro. Desta vez, acusou a empresa responsável pela obra de despejar dejetos e detritos no leito do rio e cobrou investigação. A questão ampliou a ofensiva da oposição sobre uma das principais obras do Governo do Estado.
Saúde também provocou confronto. Lucas questionou Cícero sobre a construção de UPAs durante seus mandatos na Prefeitura de João Pessoa e contrapôs a atuação municipal aos investimentos realizados pelo Estado. Cícero reagiu às críticas e acusou o governador de apresentar informações que não corresponderiam à realidade de sua administração.
Educação e segurança pública entraram na mesma linha de embate. Lucas criticou a situação das creches e obras da gestão de Cícero, enquanto o ex-prefeito voltou a responsabilizar o Governo do Estado pelos problemas da segurança. Foi nesse confronto que apareceu uma das frases mais fortes do debate. Ao ser provocado por Lucas por ter interrompido a agenda de campanha para fazer um pronunciamento sobre segurança, Cícero respondeu: “Eu paralisei, candidato, porque a Paraíba está sem governador. Eu paralisei para lhe chamar, para que você assuma o Governo.”
O confronto com Efraim ganhou contornos ainda mais pessoais. O senador criticou Lucas por consultar anotações durante o debate e questionou sua capacidade de liderança. Lucas respondeu mencionando o pagamento de um boleto de R$ 51 mil do senador por seu segundo suplente, Erik Janson Marinho, que foi alvo da Polícia Federal na Operação Sem Desconto. Efraim reagiu com críticas à trajetória política do governador e acusações envolvendo familiares.
Ao final, o debate da TH+ SBT deixou evidente que Cícero e Efraim continuam apostando na concentração dos ataques sobre Lucas como caminho para desgastar o governador na reta final. Até quando ficaram frente a frente, os dois adversários encontraram espaço para mirar o mesmo alvo.
A novidade é que Lucas não tem assumido apenas uma postura defensiva. O governador responde, confronta as gestões e trajetórias dos adversários e, em alguns momentos, eleva o tom na mesma proporção dos ataques que recebe.
A oposição, portanto, insiste numa estratégia que ainda não se refletiu favoravelmente nas pesquisas. E o debate desta quarta mostrou que, faltando poucos dias para a eleição, não há sinais de mudança: Cícero e Efraim continuam mirando Lucas — e Lucas decidiu responder no mesmo terreno.
