quarta-feira, 22 de julho de 2026
O silêncio que dói: Renata Arruda está fora do São João da Paraíba
06/05/2025 15:56
Por Marcondes Brito Reprodução

Neste início de semana, o anúncio das atrações do São João de João Pessoa, Cabedelo e outras cidades da Paraíba trouxe, além de expectativa, um incômodo difícil de ignorar para quem acompanha e valoriza a cena cultural do estado. Entre tantos nomes confirmados — muitos deles de fora da Paraíba —, uma ausência chamou atenção e gerou perplexidade no meio artístico: a cantora, compositora e poeta Renata Arruda ficou de fora da programação.

Renata não é apenas uma artista local. É um patrimônio da cultura paraibana e brasileira, com mais de 30 anos de carreira, 13 álbuns lançados, músicas em trilhas de novelas da TV Globo, parcerias com nomes como Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Chico César, Elba Ramalho, participações em festivais internacionais e, mais recentemente, projetos que valorizam exclusivamente os ritmos e compositores paraibanos, como o álbum Forró da Parahyba, lançado durante a pandemia.

Em um depoimento emocionado, Renata desabafa:

“É bem triste você fazer parte da história da Paraíba, ter levado o nome do estado a tantos lugares e países, e na sua própria terra não ter espaço. Só me sinto triste e lamento. Gostaria de entender, mas não consigo compreender.”

Nascida em João Pessoa, Renata Arruda começou a cantar nos anos 1980, brilhou no cenário musical de Brasília ao lado de Cássia Eller e construiu uma carreira sólida no Rio de Janeiro e fora do Brasil. Mas foi por afeto — e pela vontade de estar perto da sua origem — que decidiu voltar a viver em João Pessoa. Desde então, no entanto, tem enfrentado uma realidade amarga: a invisibilidade diante dos palcos públicos da própria terra.

A ausência de Renata nos festejos juninos seria sempre uma omissão grave. Em 2021, no auge da pandemia, ela lançou um álbum inteiro dedicado ao forró e aos compositores paraibanos — uma homenagem que, agora, não encontra espaço para ecoar justamente na época em que o forró ocupa o centro da cultura popular nordestina.

Impossível silenciar

O Norte Online, com essa abordagem, não pretende de forma alguma desmerecer nenhum artista convidado. O intercâmbio cultural é sempre bem-vindo. Mas é impossível silenciar diante da injustiça de ver talentos de fora sendo exaltados enquanto uma artista com a grandiosidade de Renata Arruda é ignorada.

Em respeito à cultura paraibana, à sua história e ao seu futuro, fica o apelo às autoridades públicas, promotores de eventos, secretarias de cultura e produtores locais: que olhem com mais atenção, sensibilidade e responsabilidade para quem de fato construiu e continua construindo a identidade musical da Paraíba.

Não se trata apenas de uma agenda cultural. Trata-se de memória, coerência, reconhecimento e, acima de tudo, respeito por quem canta com a voz, com o corpo e com a alma — como disse Elizeth Cardoso sobre Renata, no início de sua carreira.

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