Em meio à crise institucional envolvendo a cobrança do IOF, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu na noite desta terça-feira (8) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O encontro aconteceu na residência oficial da Câmara, em Brasília, e marcou a primeira conversa direta entre Haddad e Motta desde o desgaste causado pela derrubada do decreto presidencial que prorrogava a cobrança do imposto em operações de câmbio.
O gesto foi visto como uma tentativa clara de distensionar a relação entre Executivo e Congresso, que chegou a um ponto delicado após o Legislativo considerar a medida inconstitucional e derrubá-la. O pano de fundo é uma disputa política, mas também jurídica: o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu tanto os decretos do governo quanto a decisão do Congresso, e uma audiência de conciliação foi marcada para o dia 15 de julho, às 15h, na tentativa de encontrar um caminho comum.
Em entrevista ao portal Metrópoles antes da reunião, Haddad já havia sinalizado que faria um gesto de aproximação. “Vamos nos ver em breve. Olha, quando um não quer, dois não brigam”, disse o ministro, minimizando a crise. Ele ainda destacou a relevância institucional de Hugo Motta, afirmando que não tem o “direito” de romper com o presidente da Câmara: “Eu nunca saí de uma mesa de negociação. Eu só saio com acordo”.
O jantar contou também com a presença da ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e terminou por volta das 22h30. Na saída, Haddad evitou falar com a imprensa. O silêncio pode indicar que o clima da reunião foi mais diplomático do que político, com foco em criar pontes antes do confronto jurídico no STF. Se haverá acordo até lá, ninguém sabe. Mas o fato é que o diálogo foi reaberto — e isso, em Brasília, já é meio caminho andado.

