João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
O histórico de demissões do técnico Lisca ajuda a explicar o apelido de “doido”
28/04/2026 12:03
Redação ON Reprodução

A saída de Lisca do comando do Botafogo da Paraíba escancara um roteiro já conhecido no futebol brasileiro. Há pouco mais de duas semanas, o treinador aparecia em vídeo empolgado, mostrando o apartamento onde estava morando, a piscina com vista para o mar de João Pessoa e celebrando o momento ao lado da família, que havia vindo do Sul. Dizia estar feliz, adaptado e sem qualquer intenção de sair.

O contraste com a realidade atual é imediato. Bastaram dois resultados negativos na Série C para o ambiente desandar. Nos bastidores, voltaram à tona problemas recorrentes de relacionamento e desgaste interno. Um exemplo claro foi a saída do auxiliar Rui Cabeção, peça importante da comissão técnica, desligado logo após o título estadual em meio a desavenças com o próprio Lisca.

O episódio na Maravilha do Contorno não é exceção. Pelo contrário, encaixa-se perfeitamente em um padrão que acompanha a carreira do treinador, marcada por passagens intensas e, na maioria das vezes, curtas.

Sport (2022) – a “traição” em pleno jogo
Lisca ficou apenas três semanas no clube. Durante uma partida contra o Vila Nova, vazou a informação de que ele havia acertado com o Santos. A torcida soube ainda durante o jogo e reagiu com hostilidade, arremessando objetos no gramado. Na coletiva, ele negou o acerto, mas pediu demissão logo depois para assumir o novo clube. A diretoria classificou a atitude como antiética.

Santos (2022) – divórcio relâmpago
A passagem durou apenas oito jogos. Sem resultados e com desgaste quase imediato junto ao elenco e à diretoria, o ciclo foi encerrado rapidamente após uma derrota. Mais um trabalho interrompido antes de ganhar consistência.

Vasco (2021) – quando o próprio técnico desiste
Lisca chegou com a missão de levar o time de volta à Série A, mas deixou o cargo após 12 partidas. O pedido de saída partiu dele mesmo, ao admitir que não conseguia mais extrair rendimento do grupo. A sequência negativa pesou.

Ceará (2019) – do auge ao desgaste
Depois de se tornar ídolo ao salvar o clube do rebaixamento em 2018, Lisca viu o ambiente mudar no ano seguinte. A perda do título estadual e divergências com a diretoria sobre o planejamento do elenco tornaram a permanência insustentável.

Internacional (2016) – missão impossível
Contratado na reta final do Brasileirão, chegou com a missão de evitar o rebaixamento. Não conseguiu. O clube caiu pela primeira vez em sua história, e o treinador não teve o contrato renovado.

Paraná (2017) – conflito e ruptura
Uma das saídas mais tensas. Às vésperas de um jogo decisivo, houve relatos de desentendimentos graves no ambiente de treino, incluindo discussões com membros da comissão e jogadores. A diretoria optou pelo desligamento imediato.

O padrão que se repete
As passagens de Lisca revelam um padrão claro: impacto imediato, mobilização rápida, mas desgaste na mesma velocidade. É um técnico de ciclos curtos, cuja intensidade, muitas vezes, se transforma no principal fator de ruptura.

No Botafogo da Paraíba, a história seguiu esse roteiro. Começo promissor, título estadual, declarações apaixonadas e, pouco depois, o fim. Mais um capítulo que ajuda a explicar por que o apelido “doido” nunca foi apenas folclore.

canal whatsapp banner

Compartilhe: