A contagem regressiva para os 500 anos da presença urbana no Brasil já começou. No litoral de São Paulo, Cananeia e São Vicente protagonizam uma histórica disputa pelo título de povoamento pioneiro do país: enquanto Cananeia instalou um cronômetro em praça pública apontando para seu quinto centenário em 2031 — com base na expedição de 1531 —, São Vicente se prepara para celebrar a marca oficial em 2032, por ter sido formalmente fundada por Martim Afonso de Sousa como a primeira vila do território nacional. A efervescência dessa discussão sobre os primeiros séculos do urbanismo brasileiro abre espaço para olhar a linha do tempo do país e entender a posição de destaque que a capital da Paraíba ocupa nesse mapa histórico.
A cronologia
Ao analisar a cronologia do desenvolvimento urbano nacional sob o critério do surgimento dos núcleos coloniais que deram origem às atuais sedes administrativas estaduais, João Pessoa figura no seleto grupo das primeiras fundações do país, ocupando a sexta posição entre as capitais mais antigas do Brasil.
1 Recife (PE) – 1537
2 Salvador (BA) – 1549
3 Vitória (ES) – 1551
4 São Paulo (SP) – 1554
5 Rio de Janeiro (RJ) – 1565
6 João Pessoa (PB) – 1585
7 Natal (RN) – 1599
8 São Luís (MA) – 1612
9 Belém (PA) – 1616
10 Florianópolis (SC) – 1673
Um olhar singular
Embora esse levantamento cronológico dos núcleos originários coloque a capital paraibana em sexto lugar no ranking geral das capitais estaduais, existe uma distinção jurídica e administrativa fundamental no Direito Colonial português que eleva o marco de 1585 a um patamar singular. Na estrutura do Império Português no século XVI, a grande maioria dos assentamentos nascia modestamente como povoado ou vila — a exemplo de São Vicente, Olinda, Vitória e São Paulo —, vindo a obter a categoria formal de cidade apenas décadas ou séculos mais tarde.
João Pessoa pertence a um grupo extremamente exclusivo: ao lado de Salvador (1549) e do Rio de Janeiro (1565), a capital paraibana foi fundada diretamente com o status e o título de cidade, em 5 de agosto de 1585, sob o nome de Cidade de Nossa Senhora das Neves. Trata-se, portanto, da terceira cidade mais antiga a ser constituída no território brasileiro. Com os olhares do país voltados para os marcos quinhentistas que se aproximam ao longo desta década, a trajetória de João Pessoa se consolida como um capítulo indispensável para compreender a consolidação territorial, a arquitetura colonial e a formação da identidade urbana nacional.
