O ministro do STF assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral nesta terça-feira (12) em meio a tensões políticas. Aliados de Jair Bolsonaro veem com ressalvas os recentes gestos de aproximação entre o magistrado e o governo Lula, como o apoio público ao advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga no Supremo — nome que acabou derrotado pelo Senado.
Líderes do PL, embora celebrem a chegada do indicado de Bolsonaro ao cargo e exaltem seu perfil técnico, reconhecem os movimentos de aceno ao Planalto. Parlamentares da oposição, em conversas reservadas, avaliam que Kassio tem alinhamento ideológico à direita, mas sua gestão no TSE não será necessariamente favorável ao grupo político do ex-presidente, sobretudo por seu perfil apaziguador.
Kassio também sinalizou que defenderá a urna eletrônica como prioridade institucional, tema sensível ao bolsonarismo. O ex-presidente, preso por trama golpista e declarado inelegível por atacar a credibilidade dos equipamentos, vê o magistrado agora comprometido com o combate a fake news e os riscos da inteligência artificial sobre o sistema eleitoral.
Apesar disso, políticos do PL avaliam que o ambiente da direita com a Justiça Eleitoral será mais ameno do que nas gestões anteriores, como as de Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes. Já petistas de alto escalão reconhecem a afinidade de Kassio com bolsonaristas, mas enxergam espaço para neutralidade, destacando sua articulação e boa relação com diferentes espectros políticos.
O governo Lula teve momentos deliberados de aproximação com o ministro. Em 2024, a Caixa contratou como assessora sua ex-mulher. No ano passado, Lula indicou ao STJ um desembargador apoiado por Kassio, contrariando Gilmar Mendes e Flávio Dino — um gesto de deferência confirmado por telefonema do presidente ao magistrado.
Lula confirmou presença na posse para prestigiar Kassio e transmitir a mensagem de que o PT não busca conflito. Diante de eventual batalha jurídica entre as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro, Kassio afirmou que quer o TSE interferindo o mínimo possível, com os protagonistas sendo eleitores e candidatos, não a Justiça Eleitoral.
O novo presidente sinalizou que evitará acionar o poder de polícia da instituição para conter irregularidades — instrumento amplamente utilizado por Moraes —, prometendo portas abertas ao diálogo com esquerda e direita para distensionar a polarização.
Nova composição do TSE:
· Kassio Nunes Marques (presidente) – indicado ao STF por Bolsonaro
· André Mendonça (vice-presidente) – indicado ao STF por Bolsonaro
· Dias Toffoli – indicado ao STF por Lula
· Antonio Carlos Ferreira (corregedor-geral) – indicado ao STJ por Dilma
· Ricardo Villas Bôas Cueva – indicado ao STJ por Dilma
· Estela Aranha – jurista nomeada por Lula
· Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto – jurista nomeado por Lula
