Nordeste ferve com indefinições, mas a Paraíba vira “ilha de tranquilidade” para os palanques de Lula e Flávio
12/07/2026 10:37
Redação ON Reprodução

Às vésperas do início do prazo legal para as convenções partidárias — que ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto —, os articuladores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) trabalham em ritmo de maratona para fechar palanques estratégicos. No entanto, enquanto o cenário ferve e exibe nós difíceis de desatar em boa parte do Nordeste, a Paraíba surge como uma virtual “ilha de tranquilidade”, onde as principais forças políticas parecem não estar nem aí para os prazos apertados, dado o nível de consolidação de suas chapas.

Por aqui, o cenário político já está desenhado e estabilizado de ambos os lados, sem as dores de cabeça vistas em estados vizinhos. O presidente Lula já bateu o martelo e definiu o apoio à chapa encabeçada pelo governador Lucas Ribeiro, que buscará a reeleição tendo uma retaguarda de peso para o Senado Federal, composta pelo ex-governador João Azevedo e por Nabor Wanderley.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro também tem o seu tabuleiro inteiramente fechado e sem arestas na Paraíba. O bloco alinhado ao parlamentar marcha coeso com a pré-candidatura de Efraim Filho ao governo do estado, trazendo como apostas para o Senado o ex-ministro Marcelo Queiroga e o Major Fábio. Com os arranjos consolidados, a Paraíba se isola como um território sem problemas de balanço para os dois principais concorrentes à Presidência.

O contraste no restante do Nordeste

Se na Paraíba a situação é de calmaria, o restante do mapa nordestino apresenta um cenário de forte turbulência, especialmente para o grupo liderado por Flávio Bolsonaro. Enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) ostenta uma vantagem confortável na montagem dos arranjos estaduais em nível nacional, o Partido Liberal (PL) e seus aliados enfrentam graves impasses na região, correndo o risco real de ficar sem palanques oficiais em estados densos.

 Pernambuco e Alagoas: Em dois dos colégios eleitorais mais tradicionais do Nordeste, a situação de Flávio Bolsonaro é considerada crítica. Interlocutores que acompanham de perto as articulações locais apontam que o pré-candidato do PL pode acabar a engrenagem eleitoral sem uma coligação oficializada. O reflexo do esgarçamento dessas negociações ficou nítido nesta semana, quando o senador precisou cancelar uma agenda que cumpriria em Recife para estender sua permanência nos Estados Unidos.

 Maranhão: O estado maranhense consolidou-se como outro ponto cego no mapa de Flávio Bolsonaro. No momento, o local segue totalmente indefinido e sem qualquer perspectiva de que um nome local consiga unificar e ganhar o apoio do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Maranhão é historicamente reconhecido como um forte reduto petista, elegendo tradicionalmente lideranças alinhadas a Lula, o que amplia as dificuldades de penetração do PL.

Com o relógio correndo contra o prazo final de registro de candidaturas, fixado pela Justiça Eleitoral para o dia 15 de agosto, a capacidade de impulsionar as campanhas presidenciais dependerá diretamente de como esses nós serão desatados. Por hora, restará aos coordenadores nacionais olhar para o arranjo da Paraíba como o modelo ideal de calmaria que eles gostariam de replicar no restante do Nordeste.

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