A noite desta quinta-feira (26) transformou a Fundação Casa de José Américo, na orla de João Pessoa, em ponto de encontro de jornalistas, escritores, professores e leitores que foram prestigiar a estreia literária de Petrônio Souto. Aos 77 anos, o autor lançou seu primeiro livro, PS em poucas letras, em um evento marcado pelo reconhecimento público a uma trajetória construída ao longo de décadas no jornalismo paraibano.
O clima foi de celebração e também de curiosidade. Afinal, não era apenas o lançamento de um livro, mas a materialização de uma expectativa antiga no meio cultural. Petrônio, figura respeitada nas redações e conhecido pelo olhar atento sobre o cotidiano, chegou à literatura cercado de amigos, colegas de profissão e admiradores, que lotaram o espaço em uma noite de conversas, reencontros e longas filas para autógrafos.
Mais do que um rito formal, o evento ganhou contornos afetivos. Entre abraços e lembranças compartilhadas, o autor foi saudado por diferentes gerações de jornalistas e intelectuais, que reconheceram ali não apenas o lançamento de uma obra, mas o surgimento de uma nova fase em sua produção intelectual. Houve discursos, registros fotográficos e, sobretudo, a sensação de que o livro já nascia inserido no circuito cultural da cidade.

PS em poucas letras chega ao público reunindo mais de duzentas quadrinhas distribuídas em 138 páginas. Em formato de bolso, a obra aposta na síntese: versos curtos, diretos, que capturam cenas do cotidiano, reflexões pessoais e pequenas ironias da vida. A escrita preserva a marca de quem passou a vida lidando com a palavra, agora em uma linguagem que transita entre o lirismo e a observação bem-humorada.
Durante a cerimônia, a apresentação da obra ficou a cargo do médico João Medeiros, amigo do autor, enquanto o projeto editorial também conta com contribuições do professor Chico Viana, da escritora Neide Medeiros e de Hélder Pinheiro. As participações reforçam o caráter coletivo da publicação, construída com o apoio de nomes relevantes do meio intelectual.
Se a estreia demorou, não foi por falta de conteúdo. O próprio autor já revelou que tem outros dois livros prontos para publicação ainda este ano, indicando que o lançamento não é um ponto de chegada, mas o início de uma nova etapa. Para quem acompanhou a noite na Fundação Casa de José Américo, ficou a impressão de que Petrônio Souto apenas mudou de formato — sem abrir mão da mesma sensibilidade que o tornou uma referência no jornalismo local.