João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
“Não houve golpe!”: Bolsonaro lidera ato por anistia na Paulista e mira 2026
06/04/2025 16:44
Redação ON Reprodução

Neste domingo, 6 de abril, a Avenida Paulista voltou a ser palco de uma manifestação política liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que discursou por cerca de 25 minutos em meio a uma multidão de apoiadores. O evento teve como pauta central a defesa de uma anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, além de fortalecer a narrativa de que não houve golpe naquela data — frase que, inclusive, virou grito de guerra entre os presentes.

A manifestação na Avenida Paulista reuniu 44,9 mil pessoas, segundo cálculo feito com base em imagens aéreas pelo grupo de pesquisa “Monitor do debate político” do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento da Universidade de São Paulo.

Durante sua fala, Bolsonaro reforçou a esperança de reverter sua atual inelegibilidade, imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido à reunião com embaixadores em que atacou as urnas eletrônicas. Ele apostou na futura composição da Corte Eleitoral, que será comandada por dois indicados seus ao STF: Cássio Nunes Marques, que assumirá a presidência do TSE em 2026, e André Mendonça, futuro vice. Ainda que Bolsonaro manifeste confiança nessa possível “virada de mesa”, até mesmo aliados consideram improvável que o tribunal reveja sua condenação, especialmente diante das decisões recentes de Nunes Marques, que têm frustrado parte do bolsonarismo.

No discurso, Bolsonaro também comparou sua situação à de Donald Trump, insinuando que, mesmo inelegível ou até preso, pretende registrar sua candidatura para 2026 — ainda que, na prática, a expectativa seja que um dos seus filhos, Eduardo ou Flávio, assuma a cabeça de chapa no ano eleitoral. Eduardo, inclusive, foi citado como peça-chave nas articulações internacionais, principalmente com aliados nos Estados Unidos, de onde se espera algum tipo de apoio político ou simbólico.

Além do ex-presidente, o ato reuniu sete governadores: Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR), Mauro Mendes (MT), Jorginho Mello (SC) e Wilson Lima (AM). A presença deles indica não apenas lealdade ao bolsonarismo, mas também uma disputa silenciosa por espaço e apoio para uma possível candidatura presidencial em 2026. A pré-candidatura de Caiado, lançada nesta semana, reforça esse cenário: os governadores sabem que precisam do aval de Bolsonaro e do núcleo duro do bolsonarismo — estimado em cerca de 20% a 25% do eleitorado — para viabilizar seus projetos nacionais.

O tom do ato foi combativo, recheado de críticas ao STF, ao governo Lula, ao sistema eleitoral e à mídia. Mais do que um comício, a manifestação foi um recado político: Bolsonaro quer mostrar força, manter o protagonismo dentro da direita e, principalmente, pavimentar o caminho para seguir influente em 2026 — mesmo que, oficialmente, não esteja na disputa.

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