O veto da direção nacional da Federação PSOL-Rede ao apoio da legenda à reeleição do governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), não é um fato isolado. O episódio mostra uma divisão que ganhou o país: enquanto o PT adota a estratégia da “Frente Ampla” e se alia a partidos do Centrão e da centro-direita para fortalecer o governo e construir palanques fortes, o PSOL se recusa a subir no mesmo comício dessas legendas tradicionais.
Na Paraíba, o impasse gerou atrito direto e sacrificou um projeto local. O advogado Olímpio Rocha (PSOL) vinha construindo sua pré-candidatura ao Palácio da Redenção, marcando presença e registrando pontuação nas pesquisas eleitorais do estado. Contudo, em meio às costuras estaduais da federação com a Rede, a comissão local tentou selar a adesão à chapa de Lucas Ribeiro. Diante do impasse, o caso foi parar no diretório nacional do PSOL em Brasília, que tomou uma medida radical: barrou a candidatura própria de Olímpio Rocha e, ao mesmo tempo, proibiu qualquer apoio ou coligação formal com o PP. O resultado foi a imposição de neutralidade total na disputa ao governo e ao Senado, deixando a esquerda psolista sem candidato próprio e sem palanque majoritário.
O ruído na Paraíba ganha peso porque ecoa o debate nacional em que a direção do PT, comandada por Edinho Silva, defendeu a criação de uma federação partidária para unir formalmente PT e PSOL. A ideia do PT era amarrar os dois partidos em uma única aliança duradoura. Contudo, a maioria do PSOL rejeitou a fusão justamente para não ser obrigada a engolir os acordos regionais do PT. Ao dizer “não” à federação com o PT, o PSOL garantiu a autonomia para aplicar vetos severos, como o que travou a política paraibana.
Essa recusa em dividir palanque com a centro-direita e o Centrão se repete em vários outros estados:
Pará: O PT é aliado de primeira hora do MDB da família Barbalho e apoia o governo estadual. O PSOL paraense faz oposição histórica ao MDB e se recusa terminantemente a marchar junto com o grupo político no estado.
Rio de Janeiro: Enquanto o PT se aproxima de lideranças de centro, como o prefeito Eduardo Paes (PSD), o PSOL fluminense — que tem uma das bancadas mais fortes do país — rejeita a composição e prefere lançar nomes próprios para marcar posição.
Minas Gerais: O PT busca alianças pragmáticas com partidos moderados para tentar derrotar o grupo do governador Romeu Zema. O PSOL mineiro barra qualquer acordo do tipo, alegando que a esquerda não deve abrir mão de suas pautas por conveniência eleitoral.
Rio Grande do Sul: O PT gaúcho tenta construir frentes amplas incluindo setores do MDB e do PSD. O PSOL local refuta as alianças e prefere candidaturas isoladas para evitar associação com legendas tradicionais.
O caso paraibano deixa claro o tamanho do desafio da esquerda para as eleições. Embora PT e PSOL estejam juntos no projeto de reeleição de Lula em Brasília, o PSOL prefere rifar pré-candidaturas competitivas e adotar a neutralidade nos estados a ter que dividir o palanque com partidos de centro-direita