Nesta quinta-feira (11), às 19h, o Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, recebe, com entrada franca, o lançamento do livro “Nobelina”, de Cibele Laurentino.
De acordo com a autora, “Nobelina” foi publicado pela primeira vez em 2020, pela Editora Coerência, com prefácio de José Laurentino Neto, e da professora Joseilda Diniz, consultora de Cultura da UEPB. “A obra venceu o Prêmio Maria Pimentel, por meio da Lei Aldir Blanc, o que possibilitou sua circulação e o alcance de um número maior de leitores. Em 2025, obtivemos outro reconhecimento, desta vez pela Lei Paulo Gustavo, viabilizando sua segunda edição, através da Editora Reformatório”, explicou.
Segundo Cibele, a nova edição possui 233 páginas e conta, ainda, com ilustrações do artista plástico Alberto Dias e da participação de Maria Valéria Rezende, Marília Arnaud, Helena Cardoso e Vanessa Passos. “Dispomos de um projeto editorial feito de modo a valorizar a narrativa e a trajetória de êxito que Nobelina vem construindo desde sua estreia”, disse.
Conforme a sinopse, Nobelina é uma jovem que mora no interior do Nordeste paraibano. Filha de um casal de agricultores, é criada em um ambiente conservador, aprendendo os afazeres domésticos para se tornar uma esposa exemplar, contudo, a protagonista tem outros planos: estudar, ser professora e transformar a realidade na qual está inserida. “O livro é resultado do encontro entre o afeto e a literatura. A personagem surgiu primeiro em um cordel de meu pai, o poeta Zé Laurentino, intitulado ‘Eu, a cama e Nobelina’. Durante muitos anos, esse escrito ficou na minha imaginação. Eu me perguntava quem era ela, antes daquela obra, que vida levava, seus medos e sonhos, as batalhas que havia enfrentado para chegar até ali. E assim nasceu o romance. Escrevê-lo foi um jeito de dialogar com a obra do meu pai, mas também de dar voz à história de tantas mulheres semelhantes”, detalhou.
Cibele destacou que embora o contexto abordado seja a década de 1960, várias questões vividas por Nobelina permanecem atuais. “Em resumo, ela representa mulheres que precisaram desafiar o machismo pelo direito de ter sua própria vida. Por outro lado, é comum associar esse tipo de violência apenas ao Nordeste, em razão de estereótipos criados sobre a nossa região, mas os dados mostram que as desigualdades de gênero são mundiais. A nossa heroína tem como cenário o interior da Paraíba, raízes nordestinas, porém a mensagem não se restringe ao regional, abrangendo diferentes culturas e sociedades”, enfatizou.
Para a professora Joseilda Diniz, em “Nobelina” a escritora celebra a vida e a arte, perfazendo no caminho uma conversa com a obra poética paterna — berço do aprendizado de Cibele. “Poesia e prosa entrelaçam-se, criando uma interação textual cativante, rimada ao som das sextilhas populares, revisitando as tradições culturais das expressões que vêm do interior da Paraíba. Memórias da autora, por exemplo, que é ouvinte dos programas de rádio, alguns comandados pelo próprio poeta Zé Laurentino, conduzem-nos aos labirintos radiofônicos que animaram e transformaram o cotidiano das pessoas, transportando em ondas sonoras mais do que notícias e ficções, mas esperanças e sonhos embalados pelo vozerio elegante de seus locutores. A obra suscita, ainda, uma reflexão voltada à realidade rural, deserdada do acesso à escola, à alfabetização, mostrando como algo bastante restrito e elitista na época. A leitura realça, além disso, o quanto o conhecimento é importante, fazendo-nos emergir dos pântanos nos quais nos encontramos, para uma consciência melhorada no que concerne aos nossos valores e escolhas. De certa forma, a protagonista traduz o sentir da mulher, mas, igualmente, dos sujeitos oprimidos na narrativa”, pontuou.
O lançamento terá a participação musical de Adília Uchôa, além da declamação de poesias de Zé Laurentino, trazendo homenagens à obra dele e ao legado que inspirou o romance. Também será apresentada ao público a proposta do documentário “Nobelina: De Zé por Cibele”.
Cibele Laurentino nasceu em Campina. Bacharel em Letras, também formada em Gestão em Turismo, atua, igualmente, na divulgação de obras e de autores contemporâneos. É autora dos livros “Cactus” (poesias); “Todas em mim” (contos), traduzido e comercializado em espanhol pelo grupo editorial Caravana; e “Eu, Inútil”, premiado como melhor obra de ficção em Portugal, no prêmio Ases da Literatura. É membro da Academia de Letras de Campina Grande (ALCG) e da União Brasileira de Escritores (UBE/PB), bem como idealizadora e curadora do Clube de Leituras Nordestinas. Mais informações podem ser encontradas na rede social @cibelelaurentino.