O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai, na qual o ex-presidente reafirma o apoio à candidatura do filho mais velho à Presidência da República.
A defesa de Bolsonaro tem 48 horas para explicar se o ex-presidente tinha ciência da publicação e se manifestar sobre o possível descumprimento de ordem judicial. Ao conceder a prisão domiciliar temporária a Bolsonaro — que cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado —, o STF proibiu o uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Reincidência e desvio de finalidade
Na decisão, Moraes afirmou que Flávio cometeu “ostensivo desvio de finalidade” ao usar o direito de visita para obter e vazar a carta. O ministro destacou que o senador é reincidente, citando um episódio anterior, em agosto de 2025, no qual Flávio e o pai também descumpriram medidas cautelares para produzir material político.
Temor de volta à prisão
A repercussão do caso gerou reações imediatas:
Preocupação familiar: A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatou a interlocutores o temor de que o episódio faça Moraes revogar a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente, levando-o de volta à cadeia.
Pressão política: O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o STF pedindo o cancelamento da prisão domiciliar, argumentando que o descumprimento das medidas cautelares foi “objetivo, deliberado e confessado”.
