Para quem imaginava que Alexandre de Moraes estava disposto a “passar pano” para a família Bolsonaro, a decisão desta quinta-feira (8) aponta em outra direção. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a expedição de um mandado de prisão contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, e o cancelamento de seus passaportes.
Moraes mandou executar a condenação de Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. O ministro declarou o trânsito em julgado da ação, encerrando a possibilidade de recursos. No mês passado, a Primeira Turma havia rejeitado o recurso apresentado pela Defensoria Pública da União, responsável pela defesa do ex-parlamentar.
A condenação envolve a atuação de Eduardo junto ao governo de Donald Trump. Segundo o entendimento do STF, o ex-deputado articulou o tarifaço contra as exportações brasileiras para pressionar a Corte e tentar evitar a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista. Os ministros também relacionaram a esse objetivo a revogação de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação de sanções econômicas da Lei Magnitsky.
A ordem de prisão, porém, não significa que Eduardo será imediatamente detido nos Estados Unidos: seu cumprimento naquele país depende da cooperação das autoridades norte-americanas. Aliado de Trump, ele está em território americano desde o ano passado e perdeu o mandato na Câmara por faltar às sessões.
