João Pessoa, quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Jornalistas paraibanas são alvos de ataques feitos por perfil ligado a Veneziano
08/10/2026 14:41
Redação ON Reprodução

Perfil nas redes sociais ligado ao senador reeleito Veneziano Vital do Rêgo (MDB) fez ataques diretos a jornalistas paraibanas que trabalham com informação política e opinião crítica.

Adriana Bezerra, Cláudia Carvalho, Sony Lacerda, Priscilla Maciel e Larissa Almeida foram alvos do perfil identificado como @qgdovene com ataques que tentam descredibilizar o trabalho delas com ofensas, zombarias e insinuações.

O caso deve parar na Justiça, segundo revelou Adriana: “Vou buscar a Justiça para apurar a autoria e a responsabilidade pelos ataques”. Ela fez um desafio direto a Veneziano: “Se este perfil não o representa, diga publicamente. Repudie os ataques. Quem reivindica a condição de democrata precisa defender o direito à crítica quando ela chega à própria porta”.

Adriana, que teve foto usada pelo perfil em postagem, respondeu aos ataques lembrando que “jornalista não precisa pedir licença a QG de ninguém para fazer o seu trabalho”. E completou: “Se discordam, respondam. Inventar vínculo não é argumento. É fácil defender a liberdade de imprensa quando a imprensa elogia”. Adriana garantiu que continuará a fazer o seu trabalho.

Cláudia Carvalho também se posicionou publicamente contra os ataques do perfil. Ela lamentou que “para muitos, até para quem posa de progressista, as mulheres ainda são um incômodo. As que têm opinião devem ser silenciadas na base da zombaria ou da intimidação”.

Segundo ela, o perfil teria se irritado com conteúdos produzidos pelas jornalistas alvos dos ataques. Cláudia relatou que a campanha do senador atacou várias mulheres políticas e, agora, passou a atacar duramente mulheres da comunicação. “A campanha de Veneziano errou em vários aspectos. E um deles, a meu ver, foi o achincalhe às mulheres”.

Dados da Fenaj

Ataques com ofensas e ameaças a jornalistas são uma realidade preocupante em vários países do mundo. No Brasil, a situação tende a se agravar em períodos de campanhas eleitorais: os ânimos se acirram, a intolerância aflora e a certeza da impunidade é o combustível. Para isso, as redes sociais têm servido como a via mais eficaz aos agressores.

Levantamento realizado pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) mostrou um crescimento de 67,3% no volume de ataques direcionados à imprensa no período de 30 de agosto a 12 de setembro passado com relação à quinzena anterior. Foram 4.400 casos verificados no país contra jornalistas, veículos e a imprensa em geral apenas nas plataformas X e Instagram.

A questão do gênero também pesa na hora do agressor agir. Quando o jornalista em questão é mulher, os ataques são mais comuns tanto quanto mais violentos. Quase 60% dos casos registrados pela Fenaj foram contra mulheres.

A reportagem entrou em contato com o perfil @qgdovene pedindo um posicionamento, mas não obteve resposta até a publicação deste conteúdo.

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