A crise no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou numa fase crítica. Nesta segunda-feira (21), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 24 horas para que a defesa do ex-mandatário explique o suposto descumprimento de medidas cautelares. Caso o prazo seja ignorado, Moraes advertiu que poderá decretar sua prisão imediata, com base no artigo 312, parágrafo 1º, do Código de Processo Penal.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) já foi notificada. Segundo fontes ligadas ao inquérito, o STF considera haver fortes indícios de que Bolsonaro vem tentando burlar as restrições judiciais — especialmente por meio de intermediários.
As medidas impostas ao ex-presidente incluem:
• Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
• Recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 6h, em dias úteis, e integral aos fins de semana e feriados;
• Proibição de entrar em embaixadas e consulados estrangeiros;
• Proibição de contato com embaixadores e autoridades internacionais;
• Proibição total de uso de redes sociais, inclusive por terceiros;
• Proibição de contato com seu filho Eduardo Bolsonaro e demais investigados da trama golpista.
Eduardo: bloqueio
A ofensiva jurídica não para em Bolsonaro. Moraes também determinou o bloqueio das contas bancárias, chave Pix, bens móveis e imóveis, além do salário parlamentar de Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PL de São Paulo. A medida visa asfixiar financeiramente as articulações de Eduardo nos Estados Unidos, onde ele atua junto à equipe de Donald Trump para pressionar o governo americano a retaliar o Brasil.
“Alexandre de Moraes acabou de bloquear minhas contas bancárias, mas obviamente em nome da democracia”, ironizou o deputado, em entrevista a um podcast conservador.
Segundo a Polícia Federal, o bloqueio patrimonial foi a alternativa mais eficaz diante da ineficácia de pedidos anteriores de extradição de brasileiros investigados que vivem nos EUA. A PF identificou uma movimentação de R$ 2 milhões transferidos por Jair Bolsonaro ao filho — dinheiro que estaria bancando sua estadia e atividades no exterior.
As investigações indicam que pai e filho trabalharam juntos para incentivar Donald Trump a impor sanções econômicas contra o Brasil. O ápice dessas articulações teria sido a recente decisão de Trump, já em campanha, de anunciar uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros — medida interpretada como retaliação direta ao governo Lula.
Na sexta-feira (18), Bolsonaro foi alvo de nova operação de busca e apreensão. Agora, com tornozeleira eletrônica no tornozelo e risco de prisão a qualquer momento, o ex-presidente vive seu momento mais frágil desde que deixou o Planalto.

