A sabatina de Jorge Messias no Senado, marcada para esta quarta-feira, entra na reta final cercada por uma expectativa amplamente favorável ao Palácio do Planalto. Internamente, o governo trabalha com um piso de 44 votos no plenário, número já acima do mínimo exigido, mas há quem projete um resultado mais confortável, podendo alcançar a casa dos 50 apoios.
Para ser aprovado, o indicado precisa de maioria absoluta: pelo menos 41 votos entre os 81 senadores. A votação ocorre em duas etapas: primeiro, a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, onde é necessária maioria simples; depois, a decisão final no plenário, em votação secreta.
Na Paraíba, o cenário está praticamente definido e ilustra bem o ambiente nacional. O placar deve ser de 2 a 1 a favor de Messias. O senador Efraim Filho, do PL, já declarou voto contrário. Por outro lado, Veneziano Vital, do MDB, e Daniela Ribeiro, do PP, tendem a acompanhar o governo e votar pela aprovação. O resultado local, portanto, espelha a tendência geral de maioria favorável no Senado.
Nos bastidores, o governo tem atuado de forma intensa para evitar surpresas. Há uma articulação direta com lideranças partidárias e, como tradicionalmente ocorre em votações desse porte, a liberação de emendas parlamentares entra como instrumento para consolidar apoios. A preocupação do Planalto é não transformar a sabatina em um teste político desnecessário.
Apesar disso, há resistência organizada. O senador Rogério Marinho lidera a oposição à indicação, com apoio de partidos como PL e Novo. Ainda assim, o movimento não tem conseguido alterar de forma significativa o quadro geral, que segue favorável ao indicado.
Um dos trunfos da articulação governista tem sido o apoio silencioso de setores da bancada evangélica. Muitos parlamentares evitam declarações públicas por conta da pressão eleitoral, mas mantêm diálogo com o governo e tendem a votar a favor.
O histórico recente reforça esse cenário. As duas indicações anteriores do atual governo foram aprovadas com relativa tranquilidade. Cristiano Zanin recebeu 58 votos favoráveis, contra 18 contrários, sem abstenções. Já Flávio Dino teve uma aprovação mais apertada, mas ainda assim confortável, com maioria garantida no plenário.

Já houve rejeitados
É importante lembrar que o Senado já rejeitou indicações ao Supremo, embora isso tenha ocorrido em um passado distante. Em 1894, durante o governo Floriano Peixoto, cinco nomes foram barrados em sequência, entre eles o médico Barata Ribeiro, cuja indicação foi recusada sob o argumento de falta de notável saber jurídico. Também foram rejeitados Ewerton Quadros, Demóstenes Lobo, Inocêncio Galvão de Queiroz e Antônio Seve Navarro. Desde então, nenhuma indicação foi derrubada, o que reforça o peso histórico e político da aprovação como regra.
Diante desse contexto, a sabatina de Jorge Messias caminha muito mais para a confirmação do que para a surpresa. O governo trabalha para transformar a votação em demonstração de força política, enquanto a oposição tenta, ao menos, deixar registrada sua divergência.

