Parecem profissionais. Organizados, disciplinados, quase uma startup da sorte. Enquanto muita gente ainda discute se aposta sozinha ou entra no bolão da família, um grupo de Goiás resolveu jogar pesado na Mega da Virada e virou concorrente forte até para quem faz bolão só na resenha. São cerca de 13 milhões de reais investidos em apostas, com método, planilha, histórico de vitórias e uma fé inabalável de que agora vai.
O comandante dessa operação é o sargento Glaciel Andrade, de Cachoeira Dourada, que há 13 anos organiza bolões e já viu dinheiro cair mais de uma vez. O grupo começou pequeno, com cerca de 50 pessoas, a maioria policiais militares, e hoje virou um verdadeiro consórcio da esperança. Para o sorteio deste ano, foram montados três bolões diferentes, com 57 jogos de 20 números cada, ao custo de 239,5 mil reais por jogo.
Nada é feito no improviso. As cotas variam, os grupos têm nomes, regras e até parcelamento ao longo do ano. Tem gente pagando mensalidade de aposta desde janeiro para chegar em dezembro com tudo quitado. Participam apostadores de vários estados do Brasil e até brasileiros que moram fora do país. É globalização aplicada à loteria.
O discurso é técnico. Jogo de 20 números aumenta as chances, gera prêmio principal, quinas, quadras e uma matemática animadora. Se a Mega sair para algum dos grupos, cada participante pode levar de um a três milhões de reais, segundo as estimativas. E o histórico ajuda a alimentar o otimismo: só na última Mega da Virada foram 10 quinas e 222 quadras, somando 1,2 milhão. Em 13 anos, o grupo já acumulou cerca de 15 milhões em prêmios.
Tudo isso impressiona. Dá até a sensação de que, diante dessa estrutura, quem faz aposta simples está entrando em campo contra um time profissional. Mas a própria loteria insiste em lembrar que, no fim das contas, não existe camisa pesada quando o assunto é sorte.
Por mais milionário que seja o bolão, por mais números que estejam no volante, a regra segue a mesma para todo mundo. Quem tiver de ganhar, vai ganhar. E pode muito bem ser com uma aposta simples, daquelas de seis reais, feita no último minuto, sem planilha, sem estratégia e sem startup da sorte.