quarta-feira, 20 de maio de 2026
Mateus corta 6,6 mil funcionários, fecha 28 lojas e acende alerta no Nordeste. A Paraíba escapa da tesoura
20/05/2026 10:02
Redação ON Reprodução

O processo de reestruturação do Grupo Mateus, uma das maiores redes supermercadistas do país, provocou um verdadeiro terremoto no varejo nordestino. A empresa fechou 28 lojas entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026 e reduziu em 13,9% o número de funcionários, numa demissão em massa que atingiu cerca de 6,6 mil trabalhadores.

O enxugamento atingiu unidades no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, estados onde a presença da rede é mais forte e consolidada. A justificativa oficial é a busca por eficiência, rentabilidade e redução de despesas em meio à pressão dos juros altos, custos logísticos e concorrência pesada do atacarejo.

Mesmo com o impacto social gigantesco, o grupo continua financeiramente robusto. No primeiro trimestre de 2026, registrou lucro líquido de R$ 213 milhões e faturamento de R$ 9,4 bilhões.

Situação na Paraíba

Na Paraíba, porém, o facão ainda não chegou. As operações locais ficaram fora do pacote de cortes, assim como Pernambuco e Alagoas. O grupo mantém as atividades preservadas e segue apostando em expansão regional através da parceria com a bandeira Novo Atacarejo.

Isso significa que, até agora, nenhuma unidade do Mateus foi fechada em solo paraibano.

Mas o fato de a Paraíba ter escapado das demissões não significa ausência de problemas. Em fevereiro deste ano, uma unidade da rede no bairro do Altiplano, em João Pessoa, foi alvo de uma fiscalização pesada do Procon-JP.

A inspeção apreendeu e destruiu mais de 500 quilos de alimentos considerados impróprios para consumo. Entre os produtos encontrados havia frios vencidos, bolos mofados, peixes, camarões e massas de tapioca armazenadas em condições inadequadas.

Segundo o Procon, fiscais encontraram ainda áreas infestadas por baratas e moscas dentro do estabelecimento.

O ouvidor-geral do órgão, Marcos Souto Maior, classificou a situação como “muito séria” e afirmou que os problemas encontrados poderiam causar danos graves à saúde da população.

O episódio gerou forte repercussão na época e colocou a operação da rede na Paraíba sob pressão, justamente no momento em que o grupo começava a rever sua estrutura em vários estados do Nordeste.

Agora, com milhares de demissões e dezenas de lojas fechadas, cresce também a preocupação sobre os próximos passos da empresa e até onde essa reestruturação poderá avançar.

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