João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Lula vai à guerra contra tarifa de Trump e usa soberania como bandeira
14/07/2025 05:38
Redação ON Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu assumir o protagonismo na reação às tarifas de 50% impostas por Joe Biden — e não Donald Trump, como inicialmente noticiado — sobre produtos brasileiros de aço e alumínio. A estratégia do Palácio do Planalto é clara: ampliar a exposição pública de Lula, aproximá-lo do setor empresarial e transformar o embate comercial com os Estados Unidos em uma trincheira política.

A ideia da equipe presidencial é usar o discurso de soberania nacional e a imagem do Brasil injustiçado para reagir ao que chamam de “ataque econômico”. A fala de Lula nas redes sociais, no sábado, já antecipava o tom da campanha: “A justiça brasileira precisa ser respeitada. O Brasil vai adotar as medidas necessárias para proteger seu povo e suas empresas.”

Mais do que um embate diplomático, o governo enxerga no episódio uma oportunidade de comunicação. Segundo fontes do Planalto, a ordem é transformar a retaliação americana em um símbolo de resistência nacional — e, de quebra, neutralizar o discurso da oposição, que vem explorando o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro a Donald Trump.

O governo também pretende ativar pontes com o setor empresarial e com aliados de centro no Congresso. O ministro das Comunicações, Paulo Pimenta, articula entrevistas e aparições públicas de Lula nos próximos dias, com foco em mostrar que o presidente está agindo “em defesa do Brasil”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o chanceler Mauro Vieira trabalham paralelamente para reverter a medida via canais diplomáticos. Enquanto isso, no plano interno, o Planalto quer ligar a taxação ao “modelo populista e protecionista” que Lula atribui a adversários políticos.

Oportunidade eleitoral

Para o governo, o episódio também abre margem para reforçar o discurso de que Lula é quem pode enfrentar interesses estrangeiros e proteger o trabalhador brasileiro. A narrativa será reforçada pela aproximação com empresários da indústria e agronegócio, com os quais o governo quer firmar uma espécie de “pacto pela soberania”.

Em paralelo, Lula tentará desconstruir a imagem de que a oposição seria mais capaz de se relacionar com os Estados Unidos. A presença de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), governador de São Paulo, em reuniões com aliados de Trump, será usada como munição política.

Anistia a Bolsonaro entra no radar

Enquanto se prepara para enfrentar Biden, Lula observa com cautela o avanço do projeto de anistia a Jair Bolsonaro no Congresso. O presidente já deixou claro que considera o tema uma “ameaça à democracia” e estuda reagir caso a proposta prospere.

Nos bastidores, o Palácio avalia que a narrativa internacional pode ajudar a enfraquecer a tese de perseguição política defendida por aliados de Bolsonaro. A expectativa é que novas decisões do STF e do TSE nesta semana reforcem o cerco jurídico ao ex-presidente.

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