João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Lula reage ao ataque de Donald Trump: “O Brasil não é republiqueta”
29/05/2026 13:18
Redação ON Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom nesta sexta-feira (29) ao comentar a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Sem esconder a irritação, o petista deixou um recado direto à Casa Branca e aos aliados brasileiros que apoiaram a medida: “O Brasil não é republiqueta”.

A declaração foi feita durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe e representa a resposta mais dura do governo brasileiro desde que Washington sinalizou a possibilidade de ampliar sua atuação contra organizações criminosas ligadas ao narcotráfico na América Latina.

Lula afirmou que não aceita qualquer tentativa de interferência externa em assuntos internos do país. Segundo ele, PCC e Comando Vermelho já são tratados pelo Estado brasileiro como inimigos da sociedade e devem ser combatidos pelas instituições nacionais, sem tutela estrangeira.

“Esses grupos aterrorizam comunidades, tiram a liberdade das pessoas, espalham violência e precisam ser enfrentados. Mas quem combate o crime organizado no Brasil é o Brasil”, afirmou o presidente. Em seguida, acrescentou: “Não aceitamos ser tratados como moleques, como republiqueta”.

O presidente também demonstrou incômodo com a participação do senador Flávio Bolsonaro nas articulações que antecederam a decisão americana. Lula acusou o parlamentar de buscar apoio externo para pressionar o governo brasileiro e afirmou que nenhum político deveria recorrer a outro país para interferir nos rumos nacionais.

“Não tem vergonha na cara de trair a pátria, de ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, declarou.

A reação de Lula ocorre em um momento delicado das relações entre Brasília e Washington. Embora o governo brasileiro reconheça a gravidade da atuação das facções criminosas, o Palácio do Planalto vê com preocupação qualquer movimento que possa abrir espaço para ações unilaterais dos Estados Unidos em território nacional ou para pressões diplomáticas sobre temas de segurança pública.

Ao transformar a questão em um debate sobre soberania nacional, Lula tenta deslocar o foco da discussão. Mais do que discordar da classificação do PCC e do Comando Vermelho, o presidente procurou deixar claro que a definição de como combater essas organizações continuará sendo uma decisão do Estado brasileiro.

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