João Pessoa, domingo, 25 de outubro de 2026
Lula defende maioridade penal aos 16 anos, assume desgaste e cobra mudanças no STF
16/10/2026 05:14
Redação ON Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos e assumiu a responsabilidade pela desaprovação do governo e pelo resultado do primeiro turno. Na entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, nesta quinta-feira (15), o candidato à reeleição também foi questionado sobre benefícios sociais e a crise envolvendo o Banco Master.

Na segurança pública, Lula afirmou que a mudança na idade penal deve ser discutida separadamente da PEC da Segurança. Para ele, o Congresso precisa aprovar primeiro a proposta que reorganiza a atuação do poder público no combate à criminalidade. O presidente também defendeu maior participação da União e a criação de um Ministério da Segurança Pública.

Ao comentar o desempenho nas urnas, Lula evitou transferir a responsabilidade a auxiliares. “A responsabilidade é toda minha”, declarou. O petista disse que não conseguiu fazer a sociedade compreender os resultados de sua gestão e afirmou que os eleitores que o escolheram em 2022 tinham como referência o cenário do encerramento de seu segundo mandato, em 2010. No primeiro turno, ele obteve 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro (PL).

Bolsa Família e economia

Outro momento de destaque foi a explicação sobre o Bolsa Família. Lula afirmou que desconhecia a ausência de reajuste do benefício e que determinou a correção ao tomar conhecimento do problema. O presidente defendeu o aumento anunciado antes do primeiro turno e alegou que havia espaço fiscal para a medida.

Na discussão econômica, o candidato rejeitou que o ajuste das contas públicas recaia sobre a população mais pobre. Também mencionou medidas voltadas aos microempreendedores individuais, a aprovação do fim da escala 6×1 e a proposta de transporte público gratuito nos fins de semana.

Caso Master e críticas ao Judiciário

Questionado sobre o Banco Master, Lula afirmou que Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e André Mendonça estão implicados no caso e defendeu a investigação dos possíveis envolvidos. O presidente classificou a situação como grave e propôs mudanças no Judiciário, incluindo mandatos para ministros do Supremo e uma comissão de especialistas para formular uma reforma. Também criticou a proximidade entre magistrados e empresários com interesses econômicos.

As críticas alcançaram o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pela participação em um evento em Londres patrocinado por Daniel Vorcaro, em 2024. Lula relatou que chamou a atenção do subordinado e considerou insuficiente a justificativa apresentada. “Ele não precisava ter ido. Aliás, ninguém precisava ter ido para aquela festa”, afirmou.

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