Cinco pesquisas divulgadas neste sábado (24) colocam Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT), com diferenças de apenas um a dois pontos percentuais nos votos válidos. Os brasileiros chegam às urnas neste domingo (25), portanto, diante de uma disputa aberta. Uma comparação com o segundo turno de 2022 ajuda a entender o alcance desses números: naquela eleição, as pesquisas selecionadas apontaram corretamente o vencedor, mas algumas mostraram uma vantagem bem maior do que a confirmada na apuração.
Datafolha e Quaest apresentam o mesmo placar: 51% para Flávio e 49% para Lula. Atlas, CNT/MDA e BTG/Nexus registram distâncias ainda menores. Em todos os casos, as diferenças estão dentro das respectivas margens de erro.

O que aconteceu em 2022
Na véspera do segundo turno de 2022, realizado em 30 de outubro, Lula aparecia à frente de Jair Bolsonaro nos cinco levantamentos reunidos abaixo (ver gráfico). A vantagem variava de 2,2 pontos percentuais, na CNT/MDA, a oito pontos, no Ipec. Nas urnas, porém, a diferença ficou em 1,8 ponto: Lula venceu com 50,90%, contra 49,10% do então presidente.
A CNT/MDA foi a que mais se aproximou do resultado entre essas cinco pesquisas: a distância foi de apenas 0,2 ponto para cada candidato. No Datafolha e na Quaest, ficou em 1,1 ponto. Nos três casos, a votação esteve dentro das margens informadas. Já a Atlas apresentou uma diferença de 2,5 pontos por candidato, acima de sua margem de um ponto. No Ipec, o desvio foi de 3,1 pontos, também superior à margem de dois pontos.
O retrospecto exige uma distinção: identificar quem está à frente não significa medir com precisão o tamanho da vitória. Em 2022, as urnas confirmaram a liderança de Lula, mas mostraram uma disputa mais apertada do que a retratada por quatro desses cinco levantamentos. A margem de erro expressa uma incerteza estatística; não é uma garantia de que o resultado necessariamente ficará naquele intervalo.
O peso de quem não vai votar
Outro elemento pode fazer diferença neste domingo: a abstenção. No segundo turno de 2022, cerca de 32,2 milhões de eleitores não compareceram às urnas, equivalentes a 20,59% do eleitorado. As pesquisas medem intenções de voto, mas não conseguem assegurar quais entrevistados efetivamente votarão.
Mais do que o número total de ausentes, importa como essas ausências se distribuem. Se atingirem proporcionalmente mais os apoiadores de um candidato, podem alterar o equilíbrio da disputa. Isso faz do comparecimento um possível fator decisivo, embora não permita atribuir à abstenção, sem evidências adicionais, as diferenças observadas entre pesquisas e urnas em 2022.
Com distâncias tão pequenas nos levantamentos deste ano, a liderança numérica de Flávio não assegura a vitória, assim como a proximidade de Lula não garante uma virada. As pesquisas oferecem uma referência para acompanhar a disputa. Neste domingo, a decisão dependerá dos votos que efetivamente chegarem às urnas.