quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Livro celebra os 50 anos de Edinanci Silva, paraibana que fez história no judô brasileiro
12/08/2026 09:13
Redação ON Reprodução

Uma das maiores atletas da história do esporte paraibano terá sua trajetória contada em livro. A ex-judoca Edinanci Silva, pioneira do judô feminino brasileiro e participante de quatro edições dos Jogos Olímpicos, é a personagem da biografia “Edinanci Silva: Mulher Forte Sim Senhor”, lançada em comemoração aos seus 50 anos de vida.

O livro terá dois lançamentos neste mês de agosto, com a presença de Edinanci e da autora da obra, Helena Rebello. O primeiro será em São Paulo, no dia 21, das 19h às 21h, na Drummond Livraria, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A programação inclui uma roda de conversa conduzida pelo jornalista Paulo Conde.

No Rio de Janeiro, o lançamento acontece no dia 26 de agosto, também das 19h às 21h, na Livraria da Travessa, em Botafogo. Desta vez, o bate-papo será conduzido pela jornalista Bruna Dealtry.

A homenagem chega às livrarias às vésperas de uma data especial. Edinanci completa 50 anos no próximo dia 23 de agosto e tem uma trajetória que ultrapassa os resultados conquistados nos tatames. Nascida no Sertão da Paraíba, enfrentou pobreza, deixou o estado ainda muito jovem para tentar a carreira esportiva e viveu, em plena preparação para sua primeira Olimpíada, um dos episódios mais delicados de sua vida.

De Sousa para quatro Olimpíadas

Edinanci Fernandes da Silva nasceu em 23 de agosto de 1976, em Sousa, no Sertão paraibano. De origem humilde, mudou-se com a família para Campina Grande aos 11 anos e começou a praticar judô aos 15. Aos 17, deixou a Paraíba em direção a São Paulo para buscar espaço nas competições nacionais e construir uma carreira que acabaria levando seu nome à história do esporte brasileiro.

Edinanci nasceu com uma condição intersexo, ou seja, apresentava características biológicas sexuais que não se enquadravam completamente nos padrões típicos masculino ou feminino. No caso da atleta, exames identificaram testículos internos que produziam testosterona. A descoberta ocorreu quando sua carreira já avançava para o cenário internacional. 

Em 1996, aos 19 anos e às vésperas dos Jogos Olímpicos de Atlanta, ela passou por procedimentos cirúrgicos para retirada dessas gônadas. A própria Edinanci explicou posteriormente que a intervenção não ocorreu apenas em razão das exigências esportivas da época: os exames apontaram riscos futuros à sua saúde. Naquele período, atletas mulheres ainda eram submetidas aos controversos chamados “testes de feminilidade” para participar dos Jogos Olímpicos. 

O episódio expôs publicamente uma questão extremamente íntima da jovem atleta e deu origem a preconceito e constrangimentos que a acompanharam durante parte da carreira. Décadas depois, Edinanci passou a falar abertamente sobre o que viveu e sobre a dificuldade de enfrentar aquela exposição numa época em que a intersexualidade era ainda menos compreendida pela sociedade.

Nada disso, porém, impediu sua ascensão esportiva. Edinanci disputou quatro Olimpíadas consecutivas — Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008 —, tornando-se a primeira judoca brasileira a alcançar essa marca. Foi duas vezes medalhista de bronze em Campeonatos Mundiais, conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, e repetiu o título no Rio de Janeiro, em 2007. Em Pequim, terminou na quinta colocação, seu melhor resultado olímpico. 

Em 2025, sua contribuição ao esporte brasileiro recebeu um dos maiores reconhecimentos institucionais de sua carreira: Edinanci Silva foi eternizada no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil.

Agora, ao completar meio século de vida, a menina que saiu de Sousa, atravessou preconceitos e chegou quatro vezes aos Jogos Olímpicos ganha também sua história impressa em livro.

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