Uma lista com nomes de autoridades brasileiras supostamente denunciadas ao governo dos Estados Unidos por violação à liberdade de expressão vem chamando atenção — não apenas pelo conteúdo, mas pelo tamanho. Estão lá ministros do Supremo Tribunal Federal, procuradores, integrantes da Polícia Federal, senadores e até o atual ministro da Justiça. Segundo o jornalista Paulo Figueiredo, que publicou a relação nesta quarta-feira (28/5), todos eles estariam sujeitos a sanções com base na Lei Global Magnitsky, que permite ao governo americano punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.
Figueiredo afirma que esses nomes foram repassados às autoridades dos EUA por supostos envolvimentos em ações contra a liberdade de expressão, afetando inclusive cidadãos e empresas norte-americanas. O jornalista, que vive nos Estados Unidos, é neto do general João Figueiredo, último presidente da ditadura militar no Brasil, e figura conhecida entre bolsonaristas por sua atuação como comentarista na Jovem Pan e, mais recentemente, por sua proximidade com o pessoas ligadas ao presidente Donald Trump.
Apesar de dizer que não atua oficialmente em nome do governo americano, Paulo Figueiredo afirma que colabora informalmente com autoridades dos EUA e que novas listas devem ser entregues. Ele também integra o núcleo 5 da suposta trama golpista investigada pelo STF — e já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por incitar militares e vazar documentos relacionados ao plano de manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral.
Entre os nomes que aparecem na suposta lista estão:
Ministros do STF:
• Alexandre de Moraes
• Luís Roberto Barroso
• Gilmar Mendes
• Edson Fachin
• Cármen Lúcia
• Dias Toffoli
• Cristiano Zanin
• Flávio Dino
Outros alvos:
• Paulo Gonet (PGR)
• Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF)
• Fábio Schor (chefe de crimes cibernéticos da PF)
• Ricardo Lewandowski (ministro da Justiça)
• Rodrigo Pacheco (presidente do Senado)
A base da denúncia seriam decisões judiciais — especialmente de Alexandre de Moraes — que, segundo críticos, configurariam censura. O ministro do STF já foi alvo de ações na Justiça americana por parte de empresas como a plataforma Rumble (aliada ao grupo de Donald Trump), após a suspensão da rede social X (ex-Twitter) no Brasil em 2024. Parlamentares republicanos, como o senador Marco Rubio, já sinalizaram apoio a sanções contra Moraes, também com base na Lei Magnitsky.
O que é a Lei Global Magnitsky?
Criada em 2012 e ampliada em 2016, a lei autoriza os EUA a aplicar sanções unilaterais — como o congelamento de bens e a proibição de entrada no país — a estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações aos direitos humanos, mesmo sem processo judicial. Já foi usada contra juízes da Rússia, autoridades da Turquia e da China, e políticos da América Latina.
Apesar da gravidade das alegações e do potencial impacto diplomático, é preciso relativizar o real alcance dessa movimentação. Paulo Figueiredo, apesar de próximo de figuras influentes no bolsonarismo e de manter relação com o entorno de Trump, não possui cargo oficial nem função reconhecida pelo Departamento de Estado americano. Sua lista, portanto, deve ser lida mais como um manifesto político do que como um indicativo real de ações iminentes.
Ainda assim, o episódio mostra o nível de tensão entre parte da direita brasileira e instituições como o STF. E lança sobre a cena internacional um debate cada vez mais presente: até onde vai o poder dos tribunais em tempos de redes sociais e polarização extrema?

