sexta-feira, 15 de maio de 2026
Léo vê milhões no Maior São João do Mundo e ameaça cancelar a festa em João Pessoa
15/05/2026 21:51
Redação ON Reprodução

O prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, resolveu jogar luz sobre uma discussão que muita gente evita tocar: por que Campina Grande recebe milhões em recursos estaduais e federais para o Maior São João do Mundo enquanto a capital paraibana precisa praticamente bancar sozinha a própria festa junina?

A declaração foi forte. Em entrevista à Arapuan FM, Léo admitiu que pode suspender parte da programação do São João 2026 caso a Prefeitura não consiga ajuda financeira externa. Segundo ele, os prejuízos provocados pelas chuvas na capital colocaram a gestão diante de uma escolha difícil entre investir em infraestrutura urbana ou manter integralmente os festejos juninos.

“Eu tô pronto para suspender o São João”, afirmou o prefeito, deixando claro que a situação financeira preocupa.

A fala acontece justamente no momento em que o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, anuncia mais de R$ 45 milhões para festas juninas em mais de 70 municípios da Paraíba, além de recursos específicos para Campina Grande. O Governo do Estado também confirmou um patrocínio de R$ 2,5 milhões para o evento campinense, sem contar investimentos paralelos em segurança, saúde, turismo e divulgação.

É aí que nasce o incômodo político.

Embora tenha um formato diferente do gigantismo concentrado de Campina Grande, João Pessoa construiu nos últimos anos um São João multicultural, espalhado por bairros, polos e eventos populares. A programação movimenta hotéis, bares, restaurantes, artistas locais e o turismo interno da capital. Não é mais uma festa secundária.

Léo Bezerra tenta justamente vender essa ideia: se Campina recebe ajuda por movimentar economia e turismo, João Pessoa também deveria entrar nessa conta.

E, convenhamos, há coerência no argumento.

A capital concentra a maior rede hoteleira do estado, recebe turistas o ano inteiro e virou porta de entrada da maioria dos visitantes que chegam à Paraíba. Além disso, o festival de quadrilhas juninas de João Pessoa se consolidou como um dos eventos culturais mais tradicionais do calendário local, mobilizando comunidades inteiras.

O problema é que a discussão inevitavelmente esbarra na rivalidade política e cultural entre as duas maiores cidades do estado.

Qualquer reclamação de João Pessoa corre o risco de ser interpretada como “ciúme” do sucesso de Campina Grande. E talvez exista mesmo um componente político nisso. Mas reduzir o debate apenas a inveja seria simplificar demais uma questão real: o dinheiro público destinado aos grandes eventos juninos da Paraíba está sendo distribuído de maneira equilibrada?

Enquanto Campina Grande recebe patrocínios robustos e apoio institucional amplo, João Pessoa argumenta que está ficando com a conta praticamente sozinha.

No fundo, a ameaça de suspensão feita por Léo Bezerra funciona mais como pressão política do que como anúncio definitivo. Cancelar completamente o São João da capital teria um custo enorme para a própria gestão municipal.

Mas o recado foi dado – e em alto volume. João Pessoa quer entrar oficialmente na divisão do bolo junino da Paraíba.

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