O prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSB), elevou o tom nesta quarta-feira (3) ao comentar a participação de vereadores do próprio partido em um grupo que vem sendo visto como um novo polo de oposição na Câmara Municipal. Mais do que uma crítica ao chamado G7, o alvo do prefeito foi a postura dos parlamentares socialistas que decidiram integrar o bloco.
O grupo reúne vereadores de diferentes legendas, mas o que incomoda Léo é o fato de dois deles — Zezinho Botafogo e Jailma Carvalho — pertencerem ao PSB, mesma sigla do prefeito. Na avaliação do gestor, cabe ao partido explicar como parlamentares da legenda podem assumir uma posição de enfrentamento político a uma administração comandada por um prefeito socialista.
“Os vereadores do PSB estão todos fazendo oposição ao prefeito que é do PSB. É desse jeito? É isso que tem para João Pessoa? É dessa forma que o PSB quer tratar? Não sou eu que vou responder. Quem tem que responder isso é o presidente do partido [João Azevêdo], que tem que nos chamar para conversar”, afirmou.
A declaração expõe um mal-estar que vai além da movimentação da Câmara e alcança o próprio ambiente interno do PSB. Léo deixou claro que não questiona a existência do G7 em si, mas considera contraditória a participação de filiados do seu partido em um agrupamento que tende a fazer oposição à gestão municipal.
O prefeito também revelou sentir um distanciamento da direção partidária, apontando mudanças de comportamento e de posicionamento da legenda nos últimos meses.
“Eu acho que o PSB está um pouco mais distante de Leo Bezerra. Acho que vocês notaram nas últimas falas, nos últimos gestos que o partido para comigo. Não estou dizendo para como o prefeito”, declarou.
Formalizado recentemente, o G7 é composto por Milanez Neto (MDB), Zezinho Botafogo (PSB), Jailma Carvalho (PSB), Mô Lima (PP), Marcos Henriques (PT), Fábio Carneiro (Solidariedade) e Guga Pet (PP).
A reação de Léo evidencia que o problema, neste momento, não é a existência de uma bancada de oposição, algo natural no ambiente legislativo. O desconforto está no fato de parte dessa oposição surgir justamente dentro de sua própria legenda, abrindo uma discussão sobre alinhamento partidário e fidelidade política em um momento de reorganização das forças que disputarão espaço nas eleições de 2026.