A Justiça Federal determinou que o deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB) preste depoimento como testemunha em uma ação de improbidade administrativa que investiga um suposto esquema de rachadinha envolvendo Ivanadja Velloso Meira Lima, atual chefe de gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A decisão foi tomada pela juíza Maria Cecília de Marco Rocha, da 9ª Vara Federal Cível. A informação é da coluna de Tácio Lorran, no portal Metrópoles.
Ivanadja responde a uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) desde outubro de 2023. Segundo a acusação, ela teria movimentado a conta bancária de um servidor apontado como funcionário fantasma quando ambos trabalhavam no gabinete de Wilson Santiago, entre 2005 e 2009.
De acordo com o MPF, o servidor Francisco Macena Duarte foi nomeado secretário parlamentar da Câmara dos Deputados, mas jamais exerceu efetivamente a função. No mesmo período, ele trabalhava como motorista da Prefeitura de Poço de Dantas (PB), com jornada de 40 horas semanais.
Em depoimento ao Ministério Público da Paraíba, Francisco afirmou que não sabia quanto recebia da Câmara, disse nunca ter ido a Brasília e declarou não se lembrar sequer do número da conta bancária onde o salário era depositado.
A investigação aponta que Ivanadja possuía uma procuração assinada por Francisco Macena que lhe concedia poderes para emitir cheques, sacar valores e movimentar a conta bancária do servidor. Entre 2005 e 2009, a Câmara dos Deputados pagou cerca de R$ 224 mil ao funcionário.
Segundo a reportagem, o mesmo modus operandi teria continuado após Ivanadja assumir funções no gabinete de Hugo Motta, em 2011. Ela permanece como chefe de gabinete do parlamentar e possui procurações para movimentar contas e sacar salários de dez funcionários e ex-funcionários da Câmara, alguns deles sob suspeita de serem funcionários fantasmas.
Wilson Santiago foi indicado pela defesa de Ivanadja como testemunha no processo, pedido que acabou acolhido pela Justiça Federal.
Na defesa apresentada à Justiça, Ivanadja nega qualquer enriquecimento ilícito ou prejuízo aos cofres públicos. Ela sustenta que não há provas de que tenha realizado saques irregulares e afirma que, caso tenha movimentado recursos, isso ocorreu de forma legítima, amparada pela procuração concedida pelo então servidor.
Wilson Santiago foi procurado pela coluna de Tácio Lorran para comentar o caso, mas não respondeu aos contatos até a publicação da reportagem.
