Julian Lemos prevê a desistência e fuga de Flávio Bolsonaro antes do dia 4: “Ele vai fugir para os EUA”
19/07/2026 05:18
Redação ON Reprodução

O cenário político nacional foi sacudido no decorrer da semana, após as declarações do ex-deputado paraibano Julian Lemos sobre uma suposta fortuna oculta de R$ 600 milhões que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteria no exterior. No entanto, o que parecia ser o ápice da denúncia era apenas a superfície. Em entrevista exclusiva a O Norte Online, o ex-homem de confiança da família Bolsonaro no Nordeste trouxe à tona novos bastidores asfixiantes, revelou episódios de controle familiar truculento e cravou uma data limite para a derrocada do filho “01” do ex-presidente.

Segundo Julian Lemos, o destino político e pessoal de Flávio Bolsonaro já está traçado, motivado por um colapso emocional e pelo rastro invisível de investigações que tiram o sono do clã.

Como Julian conheceu Bolsonaro

Antes de se tornar um dos principais desafetos da família, Julian Lemos foi o principal articulador e a face do bolsonarismo no Nordeste. Nessa entrevista, ele desfez visões superficiais e relembrou os bastidores reais de como entrou na vida de Jair Bolsonaro.

O divisor de águas aconteceu quando Bolsonaro viajou à Paraíba para uma Audiência Pública na Câmara Municipal de João Pessoa. Julian, que era do segmento de segurança privada e atuava como voluntário após acompanhar o movimento pelas redes sociais, assumiu a responsabilidade de dar toda a estrutura para a agenda. Diante de um evento tenso, marcado por protestos de movimentos sociais que tentavam impedir a fala de Bolsonaro, Julian bancou do próprio bolso 40 seguranças particulares para garantir a integridade do então deputado federal.

O impacto foi imediato. Impressionado com a operação e a liderança de Julian, Bolsonaro o convidou a queima-roupa para entrar na vida pública e passou quatro horas conversando com ele. No segundo encontro, o paraibano foi convocado para rodar o Brasil ao seu lado. “Eu fui muito ingênuo. Eu era aliado, mas nunca fui alienado”, desabafa Julian, apontando que, na época, não percebeu as “máscaras” de alguém experiente na política em usar e descartar pessoas. O desgaste definitivo começaria na transição de governo, em 2019, quando Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para desautorizá-lo publicamente como coordenador do Nordeste.

De parceiro fiel a desafeto do clã Bolsonaro

O desprezo dos filhos e a manobra contra o próprio pai

Julian Lemos traçou um diagnóstico demolidor sobre a dinâmica interna dos irmãos Bolsonaro e o tratamento dispensado ao patriarca. Com base nos anos em que conviveu intimamente com o clã, ele afirma com convicção que o ex-presidente sofre com o isolamento doméstico. “Jair Bolsonaro é alguém que hoje sofre de um desprezo total por parte de Eduardo Bolsonaro. Eduardo é um filho que mais se parece um inimigo. Não tem nenhum respeito, não escuta o pai. O que o Jair fala para o Eduardo hoje é nada”, disparou, afirmando ter testemunhado as discussões na intimidade.

O ex-deputado foi ainda mais longe ao analisar as recentes movimentações políticas de Flávio Bolsonaro, acusando-o de usar o próprio pai como escudo ou peão em uma manobra jurídica arriscada envolvendo a leitura de uma carta. Segundo Julian, a estratégia dos filhos flertou deliberadamente com a prisão do patriarca. “O que Flávio fez agora, ele fez para prender o pai. Se não fosse a compaixão de Alexandre de Moraes, Jair era para estar na Papuda”, alertou.

Na avaliação de Julian, os filhos agem sob a premissa de que o pai “pode morrer a qualquer hora” e tentam capitalizar politicamente. O objetivo de Flávio, segundo ele, seria forçar uma prisão considerada injusta de Jair para desviar o foco de investigações financeiras (como a gestão do Banco Máster), transformando o pai no “mártir do Brasil”, uma manobra que acabou neutralizada pelo Supremo Tribunal Federal.

O plano de fuga para os EUA

Diante desse sufoco asfixiante de investigações e tensões internas, Julian Lemos prevê um recuo estratégico iminente do filho “01”.

“Eu vou fazer aqui uma projeção, e eu falei isso recentemente: o Flávio vai desistir até o dia 4 do mês que vem. Ele vai desistir e vai se refugiar nos EUA”, garantiu o ex-deputado.

De acordo com a análise de Julian, a pressão psicológica sobre o núcleo familiar tornou-se insustentável devido à iminência de novos vazamentos. “Cada final de semana, cada semana, cada dia, é um inferno mental naquela gente. Porque ninguém sabe a quantidade… que se sabe que tem, se sabe. Mas ninguém sabe o que vem ainda de conversas, diálogos, fotos e vídeos. Não se sabe”, explicou. Para o entrevistado, a sobrevivência de Flávio fora do país está diretamente atrelada ao patrimônio financeiro denunciado anteriormente. “Ele só tem um caminho: é fugir para os Estados Unidos com essa fortuna que eu falei que ele operou no governo do pai.”

O desmaio de Flávio: O segredo de 2016

Para sustentar sua tese sobre o controle severo e a falta de autonomia dos filhos, Julian Lemos trouxe à memória um episódio marcante da política carioca: o dia em que Flávio Bolsonaro desmaiou ao vivo durante um debate na televisão, quando concorria à prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016. Lemos revelou o que de fato aconteceu nos bastidores horas antes da transmissão, um segredo guardado até então.

“O Flávio sempre foi muito vaidoso e sempre foi uma pessoa que agiu de forma unilateral. Vou dar uma informação que nunca dei a ninguém”, relatou Julian. “O pai dele chegou, horas antes, com o Carlos Bolsonaro, e pegou o celular dele. Tomou as senhas do celular do filho porque sabia que o Flávio tinha feito coisas não tão republicanas na campanha. E o Jair, ainda com a ideia de proteger moralmente o projeto de poder que eles tinham, impôs uma pressão tão grande sobre o Flávio que ele desmaiou ali no debate. Todo mundo viu ele desmaiando, mas o motivo foi esse.”

O ex-deputado enfatizou que a influência de Flávio no Rio de Janeiro e no governo federal era absoluta, o que torna as movimentações financeiras ainda mais passíveis de escrutínio. “Para quem conhece o poder, sabe muito bem que o cara que tem a influência que ele tinha – tomando conta de 100% das indicações de nomes no Rio de Janeiro, os contratos do Rio, a saúde, a segurança pública, tudo passava por Flávio Bolsonaro. Tudo. Fora a influência no governo do pai. Sabe que isso [as denúncias] é fichinha perto do que tem.”

O silêncio dos Bolsonaro

Ao ser questionado sobre o porquê de nunca ter sido processado pela família diante de declarações tão graves, o ex-deputado foi taxativo: o medo do que ele pode revelar em juízo e o acervo de provas que acumulou nos tempos de intimidade funcionam como um freio moral para o clã. “Por que essas pessoas não me contestam? Porque tudo o que eu falo, eu tenho provas. Eu tenho fotos, imagens, vídeos, tudo. Sei onde foi e como foi”, desafiou.

“Eu já enfatizei várias vezes que não tenho imunidade parlamentar. E ninguém me processa. Eles não têm coragem?”, provocou Julian. “Se inventarem de fazer isso aí, eles sabem que não têm como me parar. Aí eu vou além, eu vou para as questões morais. Aí, meu irmão, eu digo até na cabeça de quem tem chifre, pode ter certeza disso.”

Julian Lemos indicou que o temor da família envolve o surgimento de novos materiais comprometedores nos bastidores políticos, mandando um recado direto: “E também, meu amigo, eu não tenho vídeo de videogame. Agora, investiguem. E quem escutar meu áudio sabe que estou falando a verdade.” Ele ironizou a necessidade de apresentar provas documentais imediatas à imprensa, reforçando que o foro adequado para isso seria a justiça. “Perguntar a mim onde está a nota fiscal… eu não estava lá fazendo, não estava recebendo.”

Resistência política e o “efeito acuado”

Após romper com o governo Bolsonaro, Julian Lemos sofreu duras retaliações políticas em sua base eleitoral na Paraíba. Em sua análise, sua tentativa de reeleição foi deliberadamente sufocada pelo uso das estruturas de poder da época, mas defendeu o peso de seu espólio político.

“Eu tive 37 mil votos debaixo de artilharia violenta e de uma máquina presidencial contra mim. O que mostra um patrimônio eleitoral”, avaliou Julian, que na eleição anterior teve mais de 70 mil votos. Questionado se nunca pensou em desistir da vida pública para retornar integralmente às suas atividades como psicólogo, empresário e profissional da área de segurança, Julian explicou que sua permanência na política tornou-se uma questão de honra e sobrevivência.

“Eu tenho uma vida normal. Agora, ninguém é candidato de si mesmo. Se estou aqui falando isso hoje, é porque as pessoas na rua, em todo o Brasil, me estimulam. E, acima de tudo, pelo meu desejo e direito de reescrever minha história. Eles foram além do limite: atacaram minha família, minha honra, disseram que eu era um traidor.”

Ao final, Lemos utilizou uma metáfora forte para ilustrar sua posição atual de enfrentamento definitivo contra o clã Bolsonaro, em especial contra o senador Flávio, a quem define como o elemento mais perigoso da estrutura familiar.

“Eu sou o tipo de pessoa feita aquele gato que está no canto da parede. Chega uma hora que você tem que deixar o lugar de fugir, senão eu vou voar na sua cara e vou lhe rasgar todinho. Se você não me deixar ir embora, eu vou lutar até morrer. E esse é o problema da família Bolsonaro, eles não têm limite. O meu limite agora é quando o Flávio cair e eu continuar batendo, porque a máscara dele vai cair. Flávio é um canalha, um picareta. Moralmente, ele é menos do que qualquer presidiário hoje no Brasil. A moral dele é nada, ele é pior e mais repreensível do que o pai. O tempo vai mostrando que ele é uma pessoa de moral rasa, na lama”, enfatizou.

O isolamento de Michelle e a omissão de Bolsonaro

Por fim, ao abordar o polêmico vídeo em que Michelle Bolsonaro faz acusações contra o senador Flávio Bolsonaro, Julian Lemos expôs o cenário de abandono enfrentado pela ex-primeira-dama dentro da própria estrutura familiar. Como testemunha ocular dos anos de convivência do casal, Lemos revelou que Michelle sempre foi alvo de hostilidades severas por parte dos enteados. “Michelle Bolsonaro, eu sou testemunha, é uma mulher que já foi pisada o que pôde e o que não pôde por aquela família”, relatou.

Julian manifestou surpresa com a atual conjuntura e direcionou críticas duras à postura de Jair Bolsonaro no episódio, classificando o ex-presidente como omisso no papel de chefe de família e de líder político. Na avaliação do entrevistado, Michelle encontra-se desamparada no tabuleiro interno. “Ela me surpreendeu quando vi que não tem lealdade de absolutamente ninguém, nem do marido dela, que é um fraco que não a defende.”

Julian Lemos concluiu tachando a conduta de Bolsonaro de “covarde”, citando como ápice desse colapso o fato de a própria defesa jurídica do ex-presidente ter vindo a público alegar que ele não tinha conhecimento das movimentações e cartas lidas pelo filho Flávio. “Rapaz, que caos, que colapso, que coisa caótica toda essa informação que hoje pauta o Brasil a todo momento”, finalizou.

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