O avanço do calendário político na Paraíba começa a esbarrar em um fator sensível para o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena: o campo jurídico. Em plena campanha ao Governo do Estado, ele terá pela frente, já na próxima segunda-feira, um julgamento que pode gerar desgaste político em plena largada da pré-campanha.
O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba incluiu na pauta o julgamento de ações que contestam o resultado das eleições municipais de 2024 na capital. Os processos têm como base investigações da Operação Território Livre, conduzida pela Polícia Federal, que apura a possível influência de grupos criminosos no processo eleitoral.
As ações foram apresentadas por adversários derrotados e miram diretamente a reeleição de Cícero. Ainda que não exista, neste momento, qualquer decisão que comprometa o mandato, o simples fato de o caso chegar ao plenário da Justiça Eleitoral já altera o ambiente político.
Em disputas majoritárias, especialmente quando há pretensão de avançar para o governo do estado, esse tipo de questionamento costuma ganhar dimensão além do jurídico. Adversários exploram, o debate público se contamina e a narrativa passa a disputar espaço com o conteúdo da campanha.
Cícero tem adotado um tom de tranquilidade. Afirma que sempre atuou dentro da legalidade e demonstra confiança no resultado do julgamento. Ao mesmo tempo, tenta deslocar o foco para temas como segurança pública, ao defender maior enfrentamento à criminalidade.
Mas, na prática, o julgamento da próxima segunda-feira tende a se impor como um dos primeiros testes de resistência da sua pré-campanha. Mesmo sem sentença definitiva, o caso cria um ponto de interrogação que pode influenciar alianças, discurso e percepção do eleitor.
Caso Trauminha
Além do julgamento eleitoral, um outro tema jurídico recente reforça o ambiente de atenção em torno do prefeito. O chamado caso do Trauminha, ligado ao Hospital Ortotrauma de Mangabeira, voltou à pauta após decisão do Superior Tribunal de Justiça que determinou a reapreciação do processo pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região.
Cícero havia sido absolvido anteriormente, sob o entendimento de que não houve comprovação de prejuízo ao erário ou dolo. Agora, com a anulação dessa decisão, o caso retorna para novo julgamento.
A defesa sustenta que não houve desvio de recursos e que o prefeito não era o responsável direto pelas despesas à época. Até o momento, não há qualquer decisão definitiva que altere sua situação jurídica, mantendo-se a presunção de inocência.
Ainda assim, a soma de fatores jurídicos em curso impõe um cenário mais delicado para quem tenta construir uma candidatura estadual. No jogo político, muitas vezes, o desgaste começa antes mesmo de qualquer veredito.