João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Investigação de rachadinha contra Carlos Bolsonaro é reaberta pela Justiça do Rio
24/02/2026 20:09
Redação ON Reprodução

O Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu reabrir a investigação que apura suspeitas de rachadinha no gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), envolvendo outras 25 pessoas. A ordem partiu da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que concluiu que o arquivamento anterior deixou de lado diligências consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos.

A decisão se baseia em parecer da Assessoria Criminal da PGJ, obtido com exclusividade pela GloboNews, que aponta falhas relevantes na apuração anterior. Segundo o documento, “o prosseguimento das investigações revela-se medida necessária à adequada elucidação dos fatos”, destacando que pontos sensíveis nunca foram analisados de forma aprofundada, como a movimentação de valores em cofre bancário e a compra de um apartamento pelo então vereador.

A investigação contra Carlos Bolsonaro havia sido arquivada em setembro de 2024 pelo próprio Ministério Público. Na ocasião, sete servidores do gabinete foram denunciados por peculato, crime que envolve desvio de dinheiro público. O promotor responsável à época sustentou que não havia indícios de circulação de valores para contas do vereador nem provas de que ele tivesse recebido recursos do esquema.

Retomada

Essa conclusão foi contestada no início de 2025 pelo juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga, que apontou omissões e contradições na apuração e remeteu o caso à Procuradoria-Geral de Justiça. A PGJ acolheu as críticas e determinou a reabertura formal das investigações.

Segundo os autos, a apuração indica que o então chefe de gabinete, Jorge Luiz Fernandes, teria comandado entre 2005 e 2021 um esquema de arrecadação de parte dos salários de servidores, que teriam devolvido cerca de R$ 1,9 milhão. Apesar de denunciado, ele segue trabalhando na Câmara Municipal do Rio.

Entre os novos focos da investigação está a forma de pagamento do plano de saúde de Carlos Bolsonaro. Um relatório aponta que, ao longo de nove anos, apenas um boleto teria sido quitado diretamente por meio de sua conta bancária. A PGJ determinou que as operadoras sejam oficiadas para informar valores, responsáveis pelos pagamentos e a origem dos recursos.

Outro ponto considerado sensível é a compra de um apartamento em Copacabana, em 2009, declarada por Carlos Bolsonaro pelo valor de R$ 70 mil, montante muito abaixo do preço de mercado à época. A investigação também mira os acessos frequentes do ex-vereador a um cofre bancário, com registros de visitas mensais, algo considerado atípico para uso pessoal comum.

A lista de investigados reúne 26 pessoas, incluindo Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2008. Relatórios de inteligência financeira já indicaram depósitos em dinheiro vivo que somam até R$ 340 mil em sua conta no período analisado.

A PGJ também defende a realização de novas oitivas dos investigados para esclarecer o padrão de saques realizados após o recebimento dos salários, com o objetivo de aprofundar a apuração sobre a eventual devolução de parte dos vencimentos e formar um juízo mais consistente sobre a possibilidade de denúncia ou novo arquivamento.

Carlos Bolsonaro deixou a Câmara Municipal há dois meses, após 25 anos no cargo. Até o momento, sua defesa não se manifestou sobre a reabertura da investigação.

Procurados, o gabinete da vereadora Alana Passos, que assumiu a vaga deixada por Carlos Bolsonaro, não respondeu. Jorge Luiz Fernandes também não quis comentar. Já a defesa de Ana Cristina Siqueira Valle reagiu em nota, classificando a reabertura como baseada em “nulidades absolutas” e em procedimentos ilegais, afirmando confiar que as instituições, afastadas de interesses políticos e eleitorais, conduzam o caso dentro do que chama de bom Direito.

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