João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Internação e julgamento: Bolsonaro entre o leito hospitalar e o banco dos réus
25/04/2025 05:21
Redação ON Reprodução

A nova fase do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado foi aberta com um gesto simbólico e controverso: a intimação de Jair Bolsonaro enquanto estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de iniciar o prazo de defesa mesmo com o ex-presidente hospitalizado, causou reações imediatas — e profundamente divididas.

De um lado, aliados de Bolsonaro reagiram com indignação. Acusam Moraes de desrespeitar protocolos jurídicos e humanitários, alegando que a medida serve apenas para alimentar uma narrativa de perseguição e impulsionar a vitimização do ex-presidente. Para esses setores, o gesto foi mais político do que jurídico — e pode ter dado munição a quem vive de vender a imagem de mártir.

Mas, do outro lado, a narrativa é bem diferente. Para integrantes do governo e defensores da responsabilização dos envolvidos na trama golpista, a postura de Moraes foi um recado claro: ninguém está acima da lei — nem mesmo quem tenta driblar o Judiciário com alegações médicas duvidosas. Para muitos, Bolsonaro zombava da Justiça ao transformar sua internação em palco político: fez live com os filhos, acenou para apoiadores e, pasme, chegou a anunciar a venda de capacetes — tudo isso teoricamente sob cuidados intensivos.

A cena é grotesca. Qualquer brasileiro que já tenha tido um parente numa UTI sabe: não se faz live na UTI. Não se negocia produto hospitalizado. O mínimo que se espera de alguém nesse estado é resguardo. E ponto final.

Com isso, Moraes decidiu não apenas manter o curso da lei, mas expor o teatro montado para adiar o inevitável: o julgamento. Bolsonaro e outros seis integrantes do chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe agora têm cinco dias para apresentar suas defesas.

A alegada condição de saúde do ex-presidente, verdadeira ou não, não pode servir de biombo para o adiamento eterno da Justiça. E se há mesmo um risco de vitimização, ele é menor do que o risco da impunidade. O processo avança, e com ele, avança a verdade — por mais desconfortável que seja para alguns.

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