O anúncio recente do lançamento do Acquaí Parks & Resort, no Polo Turístico Cabo Branco, mexeu com o mercado e trouxe uma injeção de otimismo para a economia local. Com investimentos previstos na casa dos R$ 700 milhões e a promessa de gerar milhares de empregos, o complexo é apresentado como um divisor de águas e um marco inédito para o estado. No entanto, o futuro que agora se desenha com imponência do Polo Cabo Branco, resgata, na verdade, os passos de uma história de pioneirismo e ousadia que começou a ser escrita há mais de três décadas em outra faixa do nosso litoral.

O início
Na década de 1990, a praia de Intermares, em Cabedelo, exibia um cenário quase desértico, dominado por mar, mato, areia e pouquíssimas construções. Foi nesse ambiente, quando ninguém ainda apostava no potencial imobiliário ou na infraestrutura da região, que o engenheiro eletrônico Sebastião Quintans teve uma visão fora da curva. Em 1993, ele – e a sua esposa, a executiva Gladys Ximenes Quintans – tirou do papel o Intermares Water Park, um empreendimento gigantesco cujo investimento alcançou a impressionante marca de 4,8 milhões de dólares na época – o que, em valores corrigidos e convertidos para os dias de hoje, ultrapassa a extraordinária cifra de R$ 62 milhões.

A grandeza
O parque não era um projeto tímido e ocupava uma área estratégica de 50 mil metros quadrados. Tratava-se do primeiro parque aquático do Nordeste setentrional e o segundo maior de toda a região, superado na época apenas pelo Beach Park, no Ceará. Com uma estrutura que ostentava quatro toboáguas de 17 metros de altura, kamikazes, rio lento, cachoeiras e enormes piscinas, o local transformou-se no principal ponto de convivência de grandes eventos, como os encontros internacionais da BNTM e os tradicionais dias festivos das debutantes da coluna de Gerardo Rabelo, do antigo jornal O Norte. O sucesso era tanto que o empreendimento se filiou à prestigiada World Waterpark Association, chegando a receber a diretoria mundial da entidade para uma visita técnica na Paraíba.

Os desafios
Manter uma estrutura daquela magnitude nos anos 1990 exigia um esforço hercúleo, especialmente em uma época analógica, sem o suporte da internet, das redes sociais ou de ferramentas modernas de marketing digital. Cerca de 80% do público do Intermares Water Park vinha de outros estados, principalmente de Pernambuco. O sucesso a longo prazo dependia do avanço de infraestrutura pública, centralizado na promessa do antigo Projeto Costa do Sol, um plano governamental que acabou não avançando na velocidade e na continuidade necessárias para dar sustentação ao trade turístico da época.

O ciclo
Na virada para os anos 2000, o cenário mercadológico mudou drasticamente. A construção de um novo parque aquático na praia de Maria Farinha, em Pernambuco, criou uma concorrência pesada e acabou absorvendo grande parte das excursões que vinham do Sul do Nordeste, como Sergipe e Alagoas. Sem o fluxo contínuo de visitantes e diante da falta de políticas públicas integradas que consolidassem o destino paraibano naquele período, o Intermares Water Park encerrou em definitivo suas atividades operacionais no final do ano 2000.
O futuro
O terreno de 50 mil metros quadrados, localizado em uma das áreas mais cobiçadas e valorizadas do litoral, ainda pertence a Sebastião Quintans e a sua esposa Gladys. Confirmando a própria visão do empresário sobre os rumos do desenvolvimento local, o espaço hoje é onde funciona o Shopping Get Mail-Cabedelo, palco dos eventos do Fest Verão. No futuro, pelo que se especula no mercado, poderá surgir no local um grande empreendimento imobiliário.
O legado
Mais de 35 anos após idealizar o projeto, Sebastião Quintans acompanha as novidades atuais com a serenidade de quem sabe que teve o sentimento correto no momento exato. O tempo e os novos investimentos bilionários provaram que a Paraíba realmente tinha a vocação que ele identificou lá atrás. As sementes plantadas por aquele grupo pioneiro na década de 1990 prepararam o terreno para o momento de plenitude que o turismo local vive hoje.

O Acquaí Parks & Resort chega para abrir uma nova era dourada, mas – ao contrário do que diz a sua propaganda oficial – não será o 1º Parque Aquático da Paraíba. A história deve fazer justiça ao homem que, com coragem e espírito visionário, colocou o estado na rota dos grandes parques aquáticos pela primeira vez.
