Resquícios da Villa Maria Cecília, que teria sido o primeiro núcleo judaico na Paraíba, precisamente na cidade de Esperança. Há inscrições hebraicas na parte superior da fachada. O texto está estilizado e um pouco artístico, mas é possível reconhecer que se trata de palavras em hebraico.
Elas parecem ser fórmulas tradicionais de proteção, que costumavam ser escritas em casas ou estabelecimentos de imigrantes judeus no Brasil e em outros países da América Latina. Em resumo: As inscrições não formam uma frase corrida comum, mas sim expressões religiosas em hebraico. Entre os trechos mais legíveis, há referências a palavras ligadas a bênção, proteção e vida.
É bastante provável que se trate de uma variação da expressão “ברוך אתה בבואך וברוך אתה בצאתך” (“Bendito sejas ao entrar e bendito sejas ao sair”), que é muito usada em portas de casas judaicas. A comunidade estaria localizada na entrada da cidade de Esperança (PB), “à esquerda de quem vem de Campina Grande”.
Como digo em um dos meus poeminhas, ficou eterna porque não existe mais. O descaso com a memória no Brasil manifesta-se na falta de valorização do patrimônio histórico e cultural, refletida no descaso do poder público, na falta de investimento em instituições culturais e na desvalorização da história pela própria sociedade.
Esse cenário tem consequências graves, como a perda irreparável de acervos, o risco de esquecimento de identidades e a imposição do risco de repetição de erros do passado. É possível que as novas gerações nunca tenham ouvido falar da existência da Villa Maria Cecília e de uma comunidade judaica, na cidade de Esperança. Acredito mesmo que pessoas mais idosas da cidade desconheçam esse fato.
A triste realidade é que pouco ou quase nada restou. É mais uma história que se perde à toa, por obra e graça da fragilidade econômica da sociedade e da ignorância, que reina absoluta em nosso país.