A nova pesquisa Datafolha trouxe um sinal político difícil de ignorar dentro do campo bolsonarista: a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República entrou claramente em trajetória de desgaste.
O levantamento divulgado nesta sexta-feira (22) mostra que o senador do PL perdeu força justamente no momento em que passou a enfrentar uma sequência de crises políticas e de imagem ligadas ao caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No cenário testado pelo instituto, o presidente Lula aparece agora com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio caiu para 31%. A diferença, que era de apenas três pontos na pesquisa anterior, saltou para nove pontos em poucos dias.
E existe um detalhe considerado ainda mais preocupante nos bastidores do PL: esta foi a primeira pesquisa realizada integralmente após a revelação das mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, divulgadas pelo site The Intercept Brasil.
O episódio provocou forte desgaste político porque as conversas expuseram pedidos de apoio financeiro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, abrindo uma nova frente de críticas contra o senador justamente no momento em que sua imagem tentava se consolidar nacionalmente como herdeiro político do bolsonarismo.
O impacto parece ter sido imediato.
Na pesquisa anterior do próprio Datafolha, realizada antes da repercussão total do caso, Lula tinha 38% e Flávio aparecia com 35%. Agora, o senador perdeu quatro pontos, enquanto o presidente ganhou dois.
O cenário fica ainda mais delicado quando o instituto testa Michelle Bolsonaro como candidata. Sem Flávio na disputa, Lula marca 41%, mas Michelle aparece com apenas 22%, mostrando que o bolsonarismo ainda enfrenta dificuldade para encontrar um nome competitivo capaz de repetir o desempenho eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro dado chama atenção dentro do levantamento: Flávio Bolsonaro lidera a rejeição nacional. Segundo o Datafolha, 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam nele “de jeito nenhum”. Lula aparece logo atrás, com 45%.
Na prática, os números mostram um quadro complicado para ambos os polos políticos, mas especialmente preocupante para Flávio, que ainda tenta ampliar seu nível de conhecimento nacional. Enquanto Lula é muito conhecido por 65% do eleitorado, apenas 34% afirmam conhecer muito bem o senador.
Nos bastidores de Brasília, aliados já começam a admitir reservadamente que a candidatura de Flávio enfrenta um problema crescente: ela perdeu o embalo antes mesmo de se consolidar oficialmente.
E o pior para o PL é que o desgaste parece estar acontecendo cedo demais.
