Os grandes veículos da imprensa nacional, a exemplo do portal Metrópoles, divulgaram nesta segunda-feira (20) que o Partido dos Trabalhadores (PT) inicia o período de convenções partidárias contabilizando 25 estados com a situação de palanque totalmente resolvida. O dado curioso — e sintomático — é que, embora a Paraíba esteja embutida nessa contabilidade otimista de Brasília, o estado sequer é citado no corpo das reportagens que detalham os nós regionais.
Ao ignorar a Paraíba, o plano nacional pressupõe uma pacificação que só existe no papel. A realidade dos bastidores locais é de pura indefinição e disputa interna. Se para a cúpula do partido em Brasília a fatura parece liquidada, para quem acompanha a política paraibana o cenário é de um autêntico cabo de guerra que tem como epicentro a vaga de vice na chapa do governador Lucas Ribeiro.
O mapa das indefinições
Para entender a discrepância, a própria matéria do Metrópoles detalha onde os dois principais blocos políticos do país realmente admitem ter problemas. O levantamento nacional mostra que o presidente Lula largou em vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na consolidação de palanques.
Enquanto o petista conseguiu desatar o nó estratégico de Minas Gerais — segundo maior colégio eleitoral do país — ao chancelar Patrus Ananias (PT) para o governo, a contabilidade nacional aponta que o único estado oficialmente “pendente” para Lula é Goiás, onde o diretório nacional ainda bate de frente com o regional.
Por outro lado, o Partido Liberal (PL), sob a articulação de Flávio Bolsonaro, entra no período de convenções enfrentando um apagão de palanques em seis estados. A oposição ainda patina sem nomes definidos para os governos de Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão, além de o próprio Flávio ainda precisar escolher quem ocupará o posto de vice na disputa pelo Palácio do Planalto.
A ofensiva de Edinho Silva
É justamente nesse cruzamento de dados que a Paraíba se torna o ponto cego da análise de Brasília. O impasse local ganhou força há cerca de dois meses, quando o presidente nacional do PT, Edinho Silva, veio a público reivindicar de forma enfática o espaço de vice na chapa de Lucas Ribeiro. A princípio, as conversas de bastidores caminharam bem e o pleito petista chegou a registrar avanços significativos junto ao núcleo governista.
A justificativa de Edinho e do diretório estadual era clara: sendo a legenda que comanda o Palácio do Planalto, o PT não aceitaria uma posição secundária e precisava da vice para carimbar a identidade do governo federal na chapa de Lucas Ribeiro.
O congestionamento da base
O que parecia encaminhado, no entanto, travou diante da complexa engenharia política paraibana. O que se sabe hoje de forma concreta é que a fila para a vice de Lucas Ribeiro congestionou. Além do PT, pelo menos outros dois ou três partidos da base governista entraram firmes no circuito, reivindicando o mesmo espaço e cobrando faturas de fidelidade política.
Esse choque de interesses criou um cenário político complexo e de via de mão única. Embora exista o consenso absoluto de que a chapa liderada pelo governador Lucas Ribeiro dará apoio integral à reeleição do presidente Lula, a grande interrogação que paira sobre as convenções é se a recíproca será verdadeira.
Caso o PT seja escanteado da vaga de vice por conta da pressão dos demais aliados locais, a aliança automática que Brasília projeta pode se transformar em um palanque fraturado e distante do clima de “assunto resolvido” vendido pelos mapas eleitorais da capital federal. A contagem regressiva para o dia 5 de agosto começou.
