O presidente da Câmara, Hugo Motta, entrou em campo nos bastidores de Brasília para tentar abrir uma ponte entre o Palácio do Planalto e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, diante da grave crise enfrentada pelo BRB. Mas a resposta que veio do governo Lula foi um sonoro “não”.
Segundo revelou hoje o Jornal de Brasília – parceiro nacional de O Norte Online – Motta tentou intermediar uma agenda entre Celina e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir uma possível ajuda federal ao Banco de Brasília, que atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. O encontro sequer aconteceu. Lula não recebeu a governadora e ainda sinalizou a aliados que não pretende usar recursos da União para socorrer a instituição financeira.
A movimentação de Hugo Motta mostra o tamanho da preocupação política em torno do caso. O BRB enfrenta uma combinação explosiva de problemas: suspeitas de rombo bilionário, dificuldades de liquidez, pressão do mercado, atraso na divulgação do balanço financeiro de 2025 e investigações envolvendo operações com o Banco Master.
A avaliação já é de que o governo federal quer distância do problema. A situação ficou ainda mais delicada após o escândalo “Dark Horse”, que atingiu o senador Flávio Bolsonaro e ampliou o desgaste político em torno de operações ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Lula foi aconselhado por auxiliares a evitar qualquer aproximação com o BRB justamente para não ser contaminado politicamente por um eventual colapso da instituição. Nem mesmo a articulação do centrão, com apoio discreto de integrantes do próprio governo, conseguiu mudar essa posição.
Enquanto isso, o relógio corre contra o banco. O BRB descumpriu o prazo legal para apresentação do balanço financeiro, tenta levantar recursos emergenciais e busca vender ativos para ganhar fôlego. Nos bastidores do sistema financeiro, já há quem considere inevitável uma intervenção do Banco Central caso o banco não consiga estabilizar rapidamente sua situação.
A crise ganhou um ingrediente ainda mais preocupante após o Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidir encerrar o contrato com o BRB. Os depósitos judiciais eram uma importante fonte de caixa para o banco. O temor agora é de efeito cascata em outros tribunais do país.
Vínculo com a Paraíba
Desde o começo da crise do Master, o assunto passou a ser acompanhado com atenção aqui na Paraíba porque o BRB administra atualmente a folha de pagamento do Tribunal de Justiça da Paraíba e também mantém recursos ligados a depósitos judiciais da Corte.
Semanas atrás, em entrevista exclusiva ao portal O Norte Online, o TJPB informou que monitora permanentemente a situação do banco e afirmou que, até o momento, não existe qualquer elemento técnico que justifique medidas emergenciais ou mudanças imediatas na relação institucional com o BRB.
Além do Tribunal de Justiça, o BRB também possui relação financeira com a Prefeitura de João Pessoa, o que aumenta ainda mais a repercussão local em torno da crise que hoje preocupa Brasília, o mercado financeiro e o Banco Central.
