O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), saiu em defesa dos interesses brasileiros após a confirmação do novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos. Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), o parlamentar classificou a medida como uma agressão ao livre comércio e à soberania nacional e afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica deve ser utilizada como um instrumento legítimo para responder às restrições adotadas pelo governo americano.
Sem citar diretamente o presidente Donald Trump, Hugo Motta criticou o uso de barreiras comerciais como forma de pressão política e afirmou que não existe justificativa técnica para a adoção das tarifas. Segundo ele, medidas unilaterais e protecionistas ameaçam empregos, prejudicam a economia e atingem setores estratégicos da produção nacional.
O deputado também garantiu que a Câmara acompanhará de perto os desdobramentos da crise comercial. “O Brasil permanece unido na proteção de seu setor produtivo, de seus exportadores e, sobretudo, dos empregos dos brasileiros”, declarou.
As tarifas anunciadas pelos Estados Unidos são resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. Entre os temas analisados estão antigas divergências sobre o etanol e questionamentos recentes envolvendo o Pix, alvo de reclamações de empresas americanas de cartões de crédito.
Em resposta, o governo Lula informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e atribuiu a abertura da investigação à atuação política da família Bolsonaro junto às autoridades americanas. A legislação, aprovada pelo Congresso em 2025, autoriza o Brasil a adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras consideradas injustificadas.
A reação ao primeiro aumento de tarifas dos Estados Unidos, ainda em 2025, já havia provocado um raro consenso em Brasília, unindo parlamentares da base governista e da bancada ruralista em defesa de uma resposta ao governo americano.
As novas tarifas devem entrar em vigor no próximo dia 22 de julho. Embora cerca de 2.100 produtos tenham sido excluídos da cobrança — entre eles carne, café, laranja, suco de laranja e componentes para a indústria aeronáutica —, o governo estima que a medida alcance aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões), com base nos dados de 2024. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, considerando o desempenho de 2025, o impacto cai para cerca de US$ 5,8 bilhões, ou aproximadamente R$ 30 bilhões.
