Hugo Motta pode ser traído? Veja 10 casos pitorescos nas eleições do Congresso
01/02/2025 05:17
Redação ON Reprodução
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As eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal no Brasil são frequentemente marcadas por articulações políticas complexas, onde a possibilidade de traições é uma constante. No caso atual, os candidatos Davi Alcolumbre e Hugo Motta enfrentam cenários que podem incluir dissidências internas.

Davi Alcolumbre, que concorre pela segunda vez à presidência do Senado, é considerado um político de bastidores, e sua vitória é dada como certa por alguns analistas.  No entanto, o senador Eduardo Girão denunciou recentemente um “acordão indecente” para beneficiar Alcolumbre, indicando descontentamento entre alguns parlamentares.  Além disso, a candidatura do senador Marcos Pontes ocorre à revelia de Bolsonaro, que chegou a se referir ao correligionário como “traidor” por não apoiar Alcolumbre. 

Na Câmara dos Deputados, Hugo Motta é apontado como favorito, contando com o apoio de diferentes espectros políticos, incluindo governistas e bolsonaristas. Contudo, candidaturas alternativas, como a de Marcel Van Hattem (Novo-RS), surgem em oposição ao consenso em torno de Motta, criticando, entre outros pontos, a falta de transparência nas emendas parlamentares.  

Diante desse contexto, embora Alcolumbre e Motta possuam apoios significativos, o histórico político brasileiro demonstra que alianças podem ser voláteis, e a possibilidade de traições não pode ser descartada.

As eleições para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal no Brasil costumam ser marcadas por manobras políticas, traições e episódios curiosos. Aqui estão 10 fatos pitorescos e traições que marcaram essas disputas:

1. A traição de Severino Cavalcanti (2005)

Em 2005, o baixo clero surpreendeu ao eleger Severino Cavalcanti (PP-PE) presidente da Câmara, derrotando Luiz Eduardo Greenhalgh, candidato do governo Lula. A vitória veio com apoio de deputados insatisfeitos, muitos da base governista, que traíram o Palácio do Planalto. Severino ficou pouco tempo no cargo, renunciando após um escândalo de corrupção.

2. O golpe de Renan Calheiros em Jader Barbalho (2001)

Em 2001, Jader Barbalho (PMDB-PA) se elegeu presidente do Senado, mas denúncias de corrupção o derrubaram rapidamente. Renan Calheiros, seu então aliado, assumiu o controle do PMDB e ficou com o comando do Senado nos anos seguintes, deixando Jader isolado.

3. A artimanha de Eduardo Cunha e Arlindo Chinaglia (2015)

Na eleição de 2015, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) usou traições e um discurso anti-PT para derrotar o candidato do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Cunha foi eleito em primeiro turno, mostrando que a base aliada de Dilma Rousseff estava muito mais frágil do que o esperado. Meses depois, ele lideraria o impeachment da presidente.

4. A reeleição polêmica de Rodrigo Maia (2019)

Rodrigo Maia (DEM-RJ) conseguiu se reeleger presidente da Câmara em 2019 com o apoio de partidos do centrão e até do PT, mesmo sendo aliado de Bolsonaro. A aliança inusitada rendeu críticas de ambos os lados e mostrou o pragmatismo da política brasileira.

5. A traição do PSDB a Aécio Neves (2017)

Em 2017, Aécio Neves (PSDB-MG), então senador, foi suspenso do cargo pelo STF por denúncias de corrupção. Quando seu caso foi ao Senado, muitos senadores tucanos, incluindo Tasso Jereissati, se recusaram a defender Aécio, evidenciando uma divisão no partido.

6. A derrota humilhante de Michel Temer (1997)

Em 1997, Michel Temer (PMDB-SP), então presidente da Câmara, tentou a reeleição, mas foi traído por aliados que preferiram Luiz Eduardo Greenhalgh (PSDB-BA). Temer acabou isolado e só voltou ao poder anos depois, com seu retorno à presidência da Câmara em 2009.

7. A virada de José Sarney contra Tião Viana (2009)

Em 2009, José Sarney (PMDB-AP) decidiu concorrer à presidência do Senado contra Tião Viana (PT-AC), mesmo depois de ter garantido que não disputaria. O PMDB fechou questão e o apoio da oposição garantiu a vitória de Sarney, em um movimento que pegou o PT de surpresa.

8. A eleição indireta de Arlindo Chinaglia (2007)

Na eleição de 2007, o governo Lula dividiu sua base ao lançar dois candidatos: Aldo Rebelo (PCdoB) e Arlindo Chinaglia (PT). Rebelo contava com o apoio do governo, mas Chinaglia conquistou votos da oposição e venceu. Foi um dos primeiros sinais da fragmentação da base petista no Congresso.

9. O golpe do “voto aberto” contra Renan Calheiros (2013)

Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito presidente do Senado em 2013, mas houve uma grande campanha para que a votação fosse aberta, o que poderia prejudicá-lo. A ideia foi barrada, e Renan venceu, mas sua popularidade caiu bastante.

10. A traição a Baleia Rossi (2021)

Baleia Rossi (MDB-SP) era o candidato do grupo de Rodrigo Maia e de partidos de oposição, mas sofreu traições dentro do próprio MDB e do DEM, que migraram para o lado de Arthur Lira (PP-AL), candidato de Bolsonaro. Lira venceu com facilidade, selando o domínio do centrão.

Essas histórias mostram que, no Congresso brasileiro, alianças são voláteis e traições são comuns. Muitas dessas disputas tiveram impacto direto na política nacional, influenciando crises, impeachments e mudanças de governo.

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