Após quatro anos sem CPIs, Assembleia pode voltar a abrir comissão para investigar pesquisas eleitorais
26/06/2026 20:36
Redação ON Reprodução

A possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar institutos de pesquisas eleitorais recoloca em pauta um instrumento que praticamente desapareceu da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Se sair do papel, será a primeira CPI instalada na Casa em cerca de quatro anos.

A proposta é do deputado estadual Felipe Leitão (MDB), que anunciou estar recolhendo assinaturas para protocolar o pedido no retorno dos trabalhos legislativos. Segundo o parlamentar, a intenção é apurar supostas discrepâncias entre pesquisas eleitorais divulgadas ao público e levantamentos de consumo interno realizados por partidos políticos.

“A gente sempre manda fazer pesquisas de consumo interno para aferir o sentimento da população. Os números divulgados por alguns institutos têm sido muito discrepantes daqueles que nós temos”, afirmou.

Mais do que o mérito da proposta, o episódio chama atenção pelo contexto. As duas últimas CPIs concluídas pela Assembleia tiveram caráter social e de direitos humanos. A CPI do Feminicídio, instalada em 2019, apresentou seu relatório final em 2021. Já a CPI dos Crimes de Ódio contra a população LGBTQIA+ encerrou seus trabalhos em 2022. Desde então, a ALPB não voltou a instalar uma comissão parlamentar de inquérito.

A iniciativa também segue um roteiro já conhecido na política nacional. Depois das eleições de 2022, deputados federais e senadores aliados do então presidente Jair Bolsonaro tentaram criar CPIs para investigar institutos de pesquisa, alegando diferenças entre os levantamentos divulgados durante a campanha e o resultado das urnas. As propostas acabaram não avançando e produziram mais repercussão política do que efeitos práticos.

Esse histórico ajuda a contextualizar o movimento que agora chega à Paraíba. Questionamentos sobre pesquisas eleitorais costumam ganhar força justamente quando partidos ou grupos políticos demonstram insatisfação com os cenários apresentados pelos institutos. Em diferentes momentos da política brasileira, pedidos de investigação surgiram após levantamentos indicarem desvantagem para determinados candidatos.

Na Paraíba, a proposta de Felipe Leitão ainda depende da coleta das assinaturas necessárias e do cumprimento dos requisitos regimentais para ser protocolada. Independentemente de seu desfecho, o debate já recoloca em evidência um instrumento que há anos deixou de fazer parte da rotina do Parlamento estadual e reacende uma discussão que, no Brasil, costuma acompanhar períodos de forte disputa eleitoral.

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