O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem enfrentado crescente pressão de parlamentares bolsonaristas para pautar o projeto de lei que visa anistiar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Apesar de anteriormente ter mantido proximidade com o PL e seus líderes, Motta tem resistido firmemente a colocar o projeto em votação, sinalizando a aliados que as chances de pautá-lo são praticamente nulas. “Chance zero”, disse.
Essa mudança de postura gerou descontentamento entre os bolsonaristas, levando a especulações sobre os motivos por trás da decisão de Motta. Aliados sugeriram que o presidente da Câmara poderia estar sendo alvo de pressões externas ou mesmo chantagens, embora tais alegações sejam especulativas e não tenham sido comprovadas.
Diante da resistência de Motta, o PL ameaçou obstruir as votações na Câmara caso o projeto de anistia não seja pautado nas próximas semanas. O líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que pretende se reunir com Motta e outros líderes partidários para discutir a votação da urgência e do mérito do texto a partir de 8 de abril.
Enquanto isso, Motta – que acompanhou o presidente Lula em viagem internacional – sinalizou a possibilidade de criar uma comissão especial para debater o projeto de anistia, o que poderia atrasar sua tramitação. Aliados do presidente da Câmara entendem que ceder à pressão enfraqueceria seu mandato e poderia prejudicar a relação do Congresso com o Supremo Tribunal Federal, especialmente em meio ao julgamento do inquérito relacionado aos eventos de 8 de janeiro.
A situação evidencia as tensões internas no Legislativo e as dificuldades em conciliar interesses divergentes dentro da base governista e da oposição.

