Muito antes de o caso ganhar as manchetes dos principais jornais do país, o portal O Norte Online já havia mostrado qual seria o destino dos R$ 22 milhões obtidos pela empresa ETC Participações, controlada por Bianca Medeiros, irmã de Luana Motta, esposa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A reportagem publicada em março revelou que os recursos estavam ligados ao projeto Nova Paraíba, um dos maiores empreendimentos imobiliários em desenvolvimento em João Pessoa, na área da antiga fábrica de cimento Cimepar.
Na época, a notícia estava centrada no destino do dinheiro. A empresa, que havia sido assumida por Bianca Medeiros dias antes, passou a integrar a estrutura responsável pela implantação do futuro bairro planejado, que prevê loteamentos, vias, equipamentos urbanos e uma nova frente de expansão da capital paraibana. O projeto ainda depende de licenças e será executado em etapas, mas já é tratado pelo mercado como uma das maiores transformações urbanas em curso em João Pessoa.
Um novo elemento na história
Agora, documentos da Polícia Federal, cujo sigilo foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal, acrescentam um novo elemento à história. Segundo reportagem do Estadão, mensagens encontradas pelos investigadores mostram Hugo Motta tratando diretamente com o então banqueiro Daniel Vorcaro da liberação de pelo menos R$ 22 milhões do Banco Master para a empresa da cunhada. O presidente da Câmara não respondeu ao jornal se atuou para viabilizar a operação e limitou-se a afirmar que o empréstimo ocorreu dentro da legalidade.
A revelação muda o eixo da discussão. Se em março já era conhecido para onde iria o dinheiro e qual empreendimento seria beneficiado pelos recursos, as investigações agora voltam os holofotes para a origem do financiamento e para a participação atribuída ao presidente da Câmara nas tratativas com Vorcaro, hoje investigado pela Operação Compliance Zero.
A nova documentação divulgada pelo STF também trouxe à tona informações sobre a relação entre Hugo Motta e o ex-banqueiro. O parlamentar admitiu que Vorcaro custeou hospedagens em Lisboa, embora a versão apresentada por ele diverja das informações reunidas pela Polícia Federal. Para os investigadores, as conversas e os documentos apreendidos revelam um tratamento privilegiado dispensado pelo empresário a figuras influentes da política nacional.

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A sequência dos fatos acaba estabelecendo uma linha cronológica curiosa. Primeiro, O Norte Online revelou em março o destino dos R$ 22 milhões e a ligação dos recursos com o projeto Nova Paraíba. Três meses depois, a divulgação dos documentos da Polícia Federal acrescenta uma nova camada à história, ao apontar como o empréstimo teria sido articulado e recolocar Hugo Motta no centro de um caso que agora alcançou repercussão nacional.