Perdi um grande amigo. Perdi um confrade. Perdi Bruno.
Thomas Bruno Oliveira não era apenas um nome respeitado nos livros, nos jornais ou nas academias. Era presença. Era conversa boa, dessas que misturam erudição com afeto, memória com riso fácil. Era alguém que sabia transformar o cotidiano em matéria de eternidade, como só os verdadeiros cronistas conseguem fazer.
Conheci Bruno no caminho da história, da cultura e do afeto — esse território invisível onde nascem as amizades que não precisam de explicação. No Conselho Cristino Pimentel do Borborema Cangaço, éramos irmãos de causa e de paixão pela memória, pela Paraíba profunda, pelos homens e mulheres que fizeram – e fazem – esta terra ser o que é. Bruno honrava esse espaço com sua generosidade intelectual e sua inquietação permanente de pesquisador.
Cronista do Jornal A União, em João Pessoa, Bruno escrevia como quem conversa baixinho com o leitor. Seus textos não gritavam; tocavam. Havia nele a herança clara do grande Gonzaga Rodrigues — mestre, farol e referência, hoje com seus 92 anos, testemunha viva de uma geração que ensinou a crônica a ser alma e não apenas gênero literário. Bruno foi discípulo à altura: aprendeu com Gonzaga a observar o mundo com delicadeza, a respeitar o tempo das coisas simples e a dar dignidade às pequenas histórias que constroem a grande História.
Como historiador, pesquisador e escritor, sua trajetória é vasta e impressionante. Como amigo, era simples, acessível, humano. Gostava de falar da Paraíba como quem fala de casa. E talvez fosse isso: Bruno morava na memória dos lugares, e agora passa a morar também na memória de todos nós que tivemos o privilégio de conviver com ele.
Sua obra fica. Seus livros ficam. Seus textos ficam.
Mas fica, sobretudo, a saudade — essa presença que dói.
Hoje, a cultura paraibana amanheceu mais pobre.
E eu, particularmente, amanheci com um vazio difícil de explicar.
Que Deus o receba na Sua glória, Bruno. E que nos dê serenidade para aceitar que alguns homens partem cedo demais, porque já cumpriram, com beleza, a missão que lhes foi confiada.
Você seguirá vivo nas páginas que escreveu, nas histórias que contou e nas lembranças que deixaste em nós.
Seu eterno amigo e Confrade, Vandilo Brito.
Um pouco do currículo de Thomas Bruno
Thomas Bruno Oliveira é professor, escritor, historiador e jornalista, mestre em História, especialista em História do Brasil e da Paraíba, nascido em Campina Grande. É cronista do Jornal ‘A União’ e colunista do site ‘Turismo & História‘. É sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (além de vários congêneres municipais) e da Academia de Letras de Campina Grande. Também é sócio-fundador da Sociedade Paraibana de Arqueologia e do Instituto Histórico e Geográfico de Serra Branca, do Instituto Histórico e Geográfico de Esperança e do Instituto Histórico e Geográfico de Areia.
Sócio honorário do Instituto Histórico e Geographico do Cariry Parahybano, sócio efetivo da União Brasileira de Escritores, do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica e do e do Instituto Histórico de Campina Grande. Colaborador externo do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB, sócio da Sociedade Brasileira de Espeleologia, também integra a Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e da Associação Campinense de Imprensa e da Associação Nacional de História.
Pesquisador externo do Núcleo de Pesquisa em História Local, também atua na área de História da Paraíba e de Campina Grande, Pré-História e Arqueologia da Paraíba, Patrimônio Histórico Cultural e Turismo, tendo trabalhos e livros publicados sobre as temáticas. Já escreveu para os jornais ‘Contraponto’ e ‘Diário da Borborema’, além de alguns portais de notícias da Paraíba. É ainda colaborador do Blog Retalhos Históricos de Campina Grande e do Ambiente de Leitura Carlos Romero.
Uma de suas publicações literárias mais conhecidas é “Impressões do Cotidiano” , publicada em 2019, onde por meio do seu olhar, de sua paixão, pelo não habitual, transformando o tempo em paisagem, Thomas tenta tocar os leitores pelos escritos apresentados. “As Impressões do Cotidiano”, são artefatos para a construção da memória dos lugares e dos sujeitos neles incrustados no seu dia a dia vida afora. É uma performance que fala da vida das pessoas, dos fatos, acontecimentos e personagens das cidades e seus espaços, ensaia falar do outro e de suas alteridades, observando o cotidiano, seus lugares e ao redor dos centros urbanos, serras e montanhas.