João Pessoa, segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Guerra no WhatsApp: Exército de Lula x Tropa de Flávio. Entenda as diferenças e a disputa no TSE
12/10/2026 08:59
Redação ON Reprodução

A disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também ganhou seus “exércitos” no WhatsApp. A duas semanas do segundo turno, os canais “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio” distribuem materiais de campanha e convocam eleitores a ampliar o alcance dos candidatos. Embora tenham funções semelhantes, diferem na coordenação, no tamanho e nas estratégias de mobilização. O canal petista, comandado pelo deputado André Janones (Rede-MG), tornou-se ainda alvo de uma disputa judicial que será analisada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O “Exército do Lula” reunia mais de 3 milhões de seguidores até a tarde de sábado (10), segundo o Metrópoles. Janones propõe tarefas como convidar novos participantes, compartilhar vídeos e reforçar a presença digital da campanha no Nordeste. Já a “Tropa do Flávio”, criada na terça-feira (6) e divulgada pelo candidato na quinta (8), ultrapassava 1 milhão de seguidores na manhã de sábado. Promovida também por aliados como Nikolas Ferreira (PL-MG), mobiliza apoiadores para repercutir temas em evidência, reagir a reportagens e contestar informações que consideram falsas.

A diferença, portanto, está mais na condução das ações do que na finalidade dos canais: ambos procuram transformar seguidores em multiplicadores de conteúdo eleitoral. A controvérsia judicial sobre o “Exército do Lula”, porém, envolve a acusação da campanha de Flávio de que o espaço dissemina desinformação. A ofensiva inclui um pedido de cassação do mandato de Janones — uma solicitação à Justiça, e não uma punição já aplicada ao deputado.

No domingo (11), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal. Na avaliação dele, a estrutura era utilizada para disseminar, de forma coordenada, conteúdos já proibidos pela Justiça Eleitoral. Horas depois, o corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu seu funcionamento provisoriamente. Relator da investigação, Cueva considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a suspensão integral do espaço, mas manteve a proibição de reproduzir conteúdos já considerados ilícitos. 

Nesta segunda-feira (12), a discussão ganhou um novo capítulo: conforme o Metrópoles, Nunes Marques solicitou informações técnicas à Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. O ministro quer saber se conteúdos idênticos ou semelhantes aos examinados no processo circularam também em outros canais e plataformas, além de verificar eventual atuação coordenada para disseminá-los.

A definição agora caberá ao plenário. Cueva pediu que a decisão de restabelecer o canal seja examinada na primeira sessão virtual disponível, preferencialmente em até 24 horas. Além da permanência do “Exército do Lula” no ar, os ministros deverão discutir a apresentação de pedidos semelhantes por diferentes vias dentro do próprio tribunal. Segundo o Metrópoles, a inclusão do caso na pauta ainda dependia de confirmação. Até essa análise, o funcionamento do canal permanece autorizado provisoriamente. 

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