quinta-feira, 30 de abril de 2026
Governo Lula sobe o tom após derrota e acumula sinais de desgaste no Congresso
30/04/2026 05:59
Redação ON Reprodução

A rejeição do nome de Jorge Messias deixou de ser apenas um episódio isolado para se transformar em ponto de inflexão na relação entre o governo e o Senado. A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus aliados foi imediata: o ambiente agora é de confronto aberto com Davi Alcolumbre, apontado nos bastidores como principal articulador da derrota.

A ordem no Palácio do Planalto é endurecer. Auxiliares já falam em revisar espaços ocupados por aliados de Alcolumbre no governo e abandonar qualquer tentativa de recomposição no curto prazo. A avaliação interna é de que houve traição política, especialmente de setores que, em tese, compõem a base governista.

Portfólio de derrotas 

O movimento não nasce do nada. Ele se soma a uma sequência de derrotas que, embora diluídas ao longo dos últimos meses, formam um quadro mais amplo de fragilidade na articulação política do governo no Congresso.

Entre os episódios mais relevantes está a aprovação, no fim do ano passado, do projeto que altera regras de dosimetria penal, com impacto direto sobre condenados pelos atos de 8 de janeiro. O texto foi vetado por Lula, mas ainda aguarda análise definitiva do Legislativo, mantendo o tema como foco de tensão.

Também pesou a derrubada de vetos presidenciais no novo marco do licenciamento ambiental, em uma vitória expressiva da bancada ruralista. O Congresso restabeleceu trechos que flexibilizam regras e reduzem exigências, contrariando a posição do governo, que defendia maior rigor na proteção ambiental.

Na área econômica, o governo sofreu revés com a derrubada de veto na regulamentação da reforma tributária, garantindo benefícios a fundos de investimento. A decisão contrariou o entendimento da equipe econômica, que apontava risco de distorções no sistema.

No campo da segurança pública, a derrubada do veto às restrições às chamadas “saidinhas” de presos expôs divergências entre o Planalto e a maioria do Congresso, que adotou uma linha mais dura.

Outro ponto sensível foi o marco temporal das terras indígenas. Mesmo com o veto presidencial, o Congresso restabeleceu a tese, em um embate direto com o governo e com setores ligados à pauta ambiental e indígena.

Isoladamente, cada uma dessas derrotas poderia ser tratada como parte do jogo político. Mas, somadas, elas ajudam a explicar o ambiente que levou ao desfecho do caso Jorge Messias. O governo não perdeu apenas uma votação — perdeu capacidade de antecipar movimentos, de consolidar maioria e de impor sua agenda.

A decisão de partir para o enfrentamento com Alcolumbre indica que o Planalto optou por mudar a lógica do jogo. Em vez de recompor pontes, escolheu elevar o conflito. Resta saber se terá força para sustentar essa estratégia em um Congresso cada vez mais autônomo e menos previsível.

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