O Palácio do Planalto decidiu acionar ministros para tentar barrar o avanço do projeto de anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro, atualmente em discussão na Câmara dos Deputados. A iniciativa, no entanto, foi recebida com ceticismo por lideranças políticas, que veem no gesto um movimento tardio e inócuo para mudar o rumo das negociações.
A estratégia do governo inclui articulações discretas com parlamentares e manifestações públicas contrárias à proposta, mas mesmo dentro da base aliada há quem avalie que a pressão dificilmente surtirá efeito. Deputados envolvidos na tramitação afirmam que a maioria já está consolidada em favor do texto, impulsionada pela força de grupos bolsonaristas e pela falta de uma articulação mais incisiva do Planalto desde o início do debate.
O próprio presidente Lula vinha evitando se envolver diretamente no tema, delegando a tarefa a ministros e líderes partidários. Agora, diante da iminente aprovação da anistia, o governo tenta reverter um cenário que analistas consideram praticamente irreversível.
Integrantes da base governista admitem, em conversas reservadas, que o movimento do Planalto tem mais efeito simbólico do que prático: busca sinalizar oposição à anistia à sua base de apoio, mesmo sabendo da dificuldade de impedir a votação.
Nos bastidores, a avaliação é que o governo perdeu o “timing” de agir e que, mesmo com a mobilização dos ministros, o projeto tende a avançar com amplo apoio na Câmara.

