O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, afirmou nesta terça-feira (22) que o Brasil pode ter antecipado o futuro do dinheiro com a criação do Pix. Em artigo publicado no The New York Times, Krugman elogia o sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central brasileiro e o compara favoravelmente a iniciativas financeiras dos Estados Unidos.
Segundo o professor da Universidade da Cidade de Nova York, enquanto os EUA aprovam legislações controversas sobre criptomoedas — como o Genius Act, sancionado pelo governo Trump — o Brasil caminha em sentido oposto, com uma solução pública e eficiente. Para Krugman, a nova lei americana abre brechas para fraudes e crises financeiras, além de barrar o desenvolvimento de uma moeda digital oficial (CBDC).
“O Brasil já mostrou que é possível oferecer uma alternativa pública e eficiente aos bancos privados. Eles fizeram isso com o Pix”, escreveu.
Krugman explica que o Pix funciona como uma versão pública e muito mais simples do Zelle — sistema bancário americano operado por grandes bancos privados —, mas com alcance incomparável: 93% da população adulta brasileira já utiliza o Pix. Ele destaca que o sistema está substituindo o dinheiro físico e os cartões com rapidez, graças à gratuidade e à instantaneidade das transações.
O economista argumenta que o Pix está realizando, na prática, o que os defensores das criptomoedas prometem sem entregar: baixos custos de transação e inclusão financeira. E alfineta: “Compare os 93% de brasileiros que usam o Pix com os 2% de americanos que fizeram pagamentos com criptomoedas em 2024.”
Krugman ainda ironiza os riscos associados às moedas digitais: “Usar o Pix não faz com que as pessoas sejam sequestradas e torturadas por suas chaves criptográficas.”
Para ele, dificilmente os EUA seguirão o exemplo brasileiro. “Vamos ter um sistema como o Pix nos Estados Unidos? Não. Ou pelo menos, não tão cedo.”