Advogados não conseguiram contato com o senador, segundo a CNN; relatos sobre viagem aos Estados Unidos continuam sem confirmação oficial
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não entregou os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo que terminou às 11h desta terça-feira (27), segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira. Enquanto a PF apura uma possível saída do país, o governo argentino informou que não há registro de entrada do parlamentar em seu território. A suposta fuga, noticiada inicialmente pelo site argentino Infobae, permanece sem confirmação.
Um novo elemento aumentou a incerteza sobre a situação do senador: integrantes de sua equipe jurídica não conseguiram contato com ele durante a manhã. Segundo apuração da CNN Brasil reproduzida pela Itatiaia, Flávio havia combinado de receber os advogados para entregar os documentos, mas não respondeu às tentativas de comunicação. Aliados também cobravam uma manifestação pública para esclarecer seu paradeiro.
A revista Veja informou que o prazo terminou sem a entrega. Já a publicação GaúchaZH, com informações de O Globo, noticiou que os passaportes foram cancelados e que a PF preparava uma comunicação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre o descumprimento da determinação.
A movimentação na fronteira passou a ser investigada depois que o Infobae publicou que Flávio teria atravessado para a Argentina utilizando o documento de identidade. Conforme a reportagem, ele seguiria de Puerto Iguazú para os Estados Unidos em um jato particular, com decolagem prevista para as 2h desta terça-feira. A empresa responsável teria solicitado procedimentos de imigração e alfândega para quatro passageiros e três tripulantes.
O avião citado é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly. O UOL consultou dados do serviço de rastreamento Flightradar24 e identificou um deslocamento de Buenos Aires para Puerto Iguazú na noite de segunda-feira, mas não encontrou registro de decolagem posterior para os Estados Unidos. Isso, entretanto, não comprova que Flávio estivesse entre os passageiros previstos.
A versão oficial argentina contraria pontos centrais das informações que circularam durante a madrugada. Em comunicado divulgado nesta manhã, a Direção Nacional de Migrações informou não ter registro da entrada do senador. Acrescentou que foram realizados controles na aeronave e na tripulação, que a documentação da empresa estava regular e que não havia sido apresentado plano de voo incluindo a família Bolsonaro.
No Brasil, a PF acionou autoridades argentinas e passou a conferir registros nos postos de fronteira. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que o senador tivesse deixado o território brasileiro. A negativa, porém, não encerrou as verificações sobre a possível viagem.
A ordem de entrega dos documentos integra uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. Além das restrições aos passaportes, Moraes proibiu o senador de sair do Brasil e de manter contato com o advogado. Ao comentar a decisão na segunda-feira, Flávio afirmou que não pretendia deixar o país e que entregaria os documentos.

