domingo, 25 de janeiro de 2026
Flamengo abre guerra contra o gramado sintético no futebol brasileiro
08/12/2025 21:14
Redação ON Reprodução

O Flamengo decidiu comprar uma briga grande fora das quatro linhas. Em documento enviado nesta segunda-feira (8) à Confederação Brasileira de Futebol, o clube abriu oficialmente uma guerra contra o uso do gramado sintético no futebol brasileiro e propôs mudanças profundas na forma como os campos são avaliados, fiscalizados e padronizados no país.

O Rubro-Negro encaminhou à CBF uma contribuição técnica ao grupo de trabalho que será criado para discutir melhorias nos gramados. Junto ao ofício, o clube apresentou o seu Programa de Avaliação e Monitoramento da Qualidade de Gramados do Futebol Brasileiro, reunindo uma série de sugestões que miram diretamente os campos artificiais usados atualmente na elite do futebol.

Logo no primeiro ponto do documento, o Flamengo ataca frontalmente a grama sintética. O clube sustenta que nenhum país campeão do mundo permite a utilização desse tipo de superfície em suas principais competições nacionais. Para a Série A de 2026, estão nessa lista Atlético-MG, Athletico-PR, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras, todos com estádios que utilizam gramado artificial.

O Flamengo também reforça que a resistência ao sintético não parte apenas dos clubes. Diversos jogadores já se posicionaram contra esse tipo de piso. Neste ano, Neymar liderou um movimento público com outros nomes importantes do futebol brasileiro pedindo o fim da grama artificial na Série A.

No aspecto médico, o clube afirma que há “vários estudos” apontando que o gramado sintético é prejudicial à saúde dos atletas, com aumento do número de lesões e outros problemas decorrentes do contato frequente com o plástico.

Para evitar prejuízos imediatos aos clubes que já utilizam esse tipo de campo, o Flamengo propõe um período de transição. A sugestão é que os times da Série A abandonem o sintético até o fim de 2027, enquanto os da Série B teriam prazo até o final de 2028. Durante esse intervalo, a ideia é exigir padrões mínimos de segurança e qualidade para quem seguir jogando em campo artificial.

O clube também cobra algo que hoje não existe de forma efetiva no Brasil: a padronização rigorosa da qualidade dos gramados naturais, com base em normas utilizadas pela Fifa e pela Uefa. Atualmente, segundo o próprio Flamengo, não há uma regulamentação técnica consistente nem para campos naturais nem para os sintéticos.

Na reta final do documento, o Rubro-Negro deixa claro que a ofensiva vai além da sugestão formal. As propostas fazem parte da resposta do clube à consulta da CBF para ajustes no Regulamento Geral de Competições e no Regulamento Específico do Brasileirão de 2026. Agora, o Flamengo aguarda a criação oficial do grupo de trabalho que vai aprofundar o tema.

A partir desse movimento, o debate sobre o fim do gramado sintético no futebol brasileiro deixa de ser apenas um discurso de jogadores e passa a ser uma disputa institucional, com o clube mais popular do país puxando o embate.

Leila responde

, Leila Pereira, presidente do Verdão, rebateu a proposta do Flamengo, que defende a padronização dos gramados e a proibição da grama sintética no futebol brasileiro, como é o caso do Allianz Parque, estádio do time paulista. A dirigente apontou para um clubismo do rival e o acusou de propagar “fake news” sobre o tipo do gramado.

“O Palmeiras tem estádio próprio e optou por colocar um gramado artificial. Eu também tenho um estádio, a Arena Crefisa Barueri, e decidi pela implementação do piso sintético. O mais importante é respeitarmos as regras da Fifa e a integridade física dos atletas, sem clubismo e sem fake news. Se a atual gestão do Flamengo, comandada pelo presidente Bap, estivesse realmente preocupada com a qualidade dos gramados do Brasil, o campo do Maracanã não seria tão ruim quanto é. Aliás, o Flamengo, no dia em que tiver um estádio próprio, pode instalar nele o tipo de gramado que quiser”

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