Uma série de elementos, no mínimo, comprometedores, guardados pelo empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chocolateria Kopenhagen, revela a participação do candidato a presidente em orgias bancadas com dinheiro de origem suspeita, presentes de luxo recebidos de parceiros lobistas e até uma operação para levar interesses de um “cliente” a Kassio Nunes Marques, ministro do STF. As informações foram publicadas nesta terça-feira pelo site PlatôBR.
A história começa há cerca de três anos, quando Alexandre Santini rompeu com Flávio em meio a uma disputa por dinheiro. Durante o conflito, Santini passou a guardar e compartilhar mensagens, fotos e outros registros relacionados à convivência com o senador. Segundo a reportagem, ele organizava encontros com garotas de programa dos quais Flávio participava. As festas ocorriam em hotéis e outros locais, inclusive em Brasília. O ex-sócio decidiu guardar registros desses encontros, entre eles fotografias e mensagens.
Como forma de pressão, Santini ameaçava contar os segredos à família de Flávio. Num determinado momento, ele procurou a esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, e contou que o marido dela frequentava encontros privês com garotas de programa. O episódio teria provocado uma crise no casamento do senador e mobilizado pessoas próximas à família Bolsonaro, em um momento em que Jair Bolsonaro tentava a reeleição, em 2022.
Depois disso, Flávio enviou uma mensagem a Santini na qual afirmou ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” e disse que não voltaria a errar com a família. A mensagem, porém, não especifica a quais episódios o senador se referia. Como resposta, Santini enviou: “Flávio, você tem noção do que você escreveu, e para quem escreveu? Acredito que tenha mandado para a pessoa errada. Abraço”, respondeu Santini.
A reportagem do PlatôBR detalha: “No arsenal de Alexandre Santini havia elementos contundentes. Como mensagens que ele enviara para uma agenciadora de garotas de programa no Rio de Janeiro combinando encontros com a presença Flávio, a quem se referia sempre como “meu filho’. Os convescotes eram, por assim dizer, coletivos, com a participação do próprio ex-sócio e, por vezes, de outros amigos da dupla que eram convidados. Junto com as mensagens de texto, havia fotos – várias delas, por sinal, impublicáveis. Santini dizia que a preferida de Flávio, ou ‘a namoradinha’ nas palavras dele, era a própria agenciadora.
O Grand Hyatt, hotel cinco estrelas situado entre o mar e a Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca, era um dos locais escolhidos para os encontros do grupo. Algumas das fotos mostradas pelo ex-sócio à mulher de Flávio foram tiradas lá, em um dos apartamentos mais exclusivos oferecidos aos hóspedes, com diária de R$ 3 mil, ampla varanda e vista panorâmica da região, narra o site de notícias.
A reportagem ainda afirma que, apesar das tentativas de acordo, o conflito entre os dois continuou. Em setembro de 2023, Santini teria enviado uma notificação extrajudicial cobrando 1,4 milhão de reais, sob a alegação de que havia ficado no prejuízo com o fim da sociedade na loja de chocolates.
Presentes caros
Sobre as despesas e presentes, entre os documentos está uma nota fiscal de fevereiro de 2022 referente à compra de um Rolex Submariner Date de ouro branco, no valor de R$ 305 mil. Segundo o PlatôBR, o documento está em nome do advogado Alan Belaciano, mas mensagens guardadas por Santini indicariam que o relógio foi comprado para Flávio Bolsonaro.
Nas mensagens, há um trecho que envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF. No fim de 2023, durante a disputa financeira entre os antigos sócios, Santini escreveu a Flávio dizendo ter conhecimento de que ele havia conversado diretamente com o ministro sobre os interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete de Kassio.
De acordo com a reportagem, o caso seria acompanhado por Belaciano e teria envolvido a marcação de um jantar com a participação do chefe de gabinete de Kassio. O PlatôBR não identifica o cliente ou o processo. A reportagem também não apresenta comprovação independente de que a suposta intermediação tenha ocorrido.
Na mensagem, reproduzida pelo site, Santini escreveu a Flávio: “Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso”. Depois da mensagem, Flávio teria marcado uma reunião com o ex-sócio em seu gabinete. O conteúdo da conversa não foi divulgado.
