quinta-feira, 23 de abril de 2026
Fátima Bezerra em Bananeiras: foto em pousada gera ataques e expõe intolerância política
21/04/2026 16:06
Redação ON Reprodução

Uma cena comum de feriado acabou se transformando em mais um sintoma preocupante da polarização política no Brasil. A passagem da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, por Bananeiras, no Brejo paraibano, expôs um nível de intolerância que já ultrapassa o debate político e invade a vida privada.

A governadora esteve na cidade turística e apareceu em uma postagem ao lado da proprietária de uma pousada local. Bastou isso para que a publicação se tornasse alvo de uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Internautas passaram a associar automaticamente a empresária ao campo político da governadora, apenas pela imagem, e iniciaram ataques e ameaças de boicote ao estabelecimento.

Diante da repercussão negativa, a pousada apagou a postagem e chegou a ocultar comentários, numa tentativa de conter o desgaste. Ainda assim, as críticas continuaram a circular em outras publicações do perfil, evidenciando como a dinâmica das redes sociais amplifica conflitos e dificulta qualquer controle de danos.

O episódio revela um fenômeno cada vez mais frequente: a incapacidade de separar convivência social de posicionamento político. Uma simples foto, sem qualquer conteúdo ideológico explícito, foi suficiente para desencadear julgamentos, rótulos e ataques. A lógica passa a ser binária: ou se está de um lado, ou do outro — e qualquer interação vira prova de alinhamento.

Chama ainda mais atenção o fato de que a própria governadora tem origem paraibana. Fátima Bezerra nasceu em Nova Palmeira, no Curimataú, em 1955, e só se mudou para o Rio Grande do Norte na juventude, na década de 1970, para estudar e trabalhar. Foi em Natal que construiu toda a sua trajetória acadêmica, profissional e política, tornando-se professora, deputada, senadora e, posteriormente, governadora.

Ou seja, trata-se de uma figura com vínculos históricos com a Paraíba, recebida em um destino turístico do estado — algo que, em condições normais, passaria despercebido. Mas o ambiente político atual transforma até gestos triviais em gatilhos de conflito.

O caso de Bananeiras não é isolado. Ele se soma a uma sequência de episódios em que consumidores ameaçam boicotar empresas, cidadãos são hostilizados por associações superficiais e relações pessoais são tensionadas por disputas ideológicas. A política deixa de ser debate de ideias e passa a funcionar como filtro absoluto de convivência.

O que está em jogo vai além de uma postagem apagada. É o retrato de um país em que a divergência deixou de ser tolerada e passou a ser combatida, muitas vezes de forma agressiva e irracional. Quando uma foto casual vira motivo de hostilidade, o problema já não é mais político — é social

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